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Crescimento econômico mundial excede capacidade ecológica do planeta

Segundo economista Marcus Eduardo de Oliveira, estamos aumentando a capacidade de produção além do que o planeta consegue repor e, por isso, entramos em déficit ambiental cada vez mais cedo

08 de Agosto de 2018
Foto Projeto
Marcus Eduardo de Oliveira na Terça Ambiental de agosto / Crédito: Amda

O mundo vive hoje um crescimento fora da realidade ecológica, na qual a capacidade de produção excede o que o planeta é capaz de repor. A afirmação é de Marcus Eduardo de Oliveira, Economista, Especialista em Política Internacional e Mestre em Estudos da América Latina pela USP. Ele falou sobre economia e meio ambiente na Terça Ambiental de agosto, que ocorreu nesta terça-feira (7).

Tudo o que a economia produz tem relação direta com a natureza, mas o paradigma da quantidade (crescimento) em detrimento da qualidade (desenvolvimento) está destruindo o planeta. Nos últimos 45 anos, a economia global praticamente quintuplicou; o consumo de carros, grãos e água foi multiplicado por três; o consumo de papel sextuplicou; e o uso de combustíveis fósseis - e, consequentemente, a emissão de CO2 - quadruplicaram.

"O modelo de economia global 'já deu o que tinha que dar'. O erro está nesse modelo de consumo crescente e produção enlouquecida, que faz com que as pessoas disparem para consumir, descapitalizando o capital natural, daí a ultrapassagem da capacidade da Terra", afirmou Oliveira.

O professor explicou que o consumo é desigual em função da péssima distribuição de riquezas no mundo: 20% da população mundial consomem 76% da produção econômica, enquanto os 80% restantes consomem 24% da produção. A humanidade extrai hoje 60 bilhões de toneladas de recursos naturais por ano, o equivalente a 8 toneladas por indivíduo ao ano. Para se ter ideia da desigualdade, Oliveira exemplificou: na Índia, cada cidadão consome 4 toneladas por ano, enquanto no Canadá são 25 toneladas/ano.

"O erro central está no consumo excessivo por parte dos países mais ricos. Esse consumo ostensivo do norte, em contraponto ao subconsumo do sul, provoca desequilíbrio em todas as pontas: econômica, social e, óbvio, ambiental, porque tudo que é produzido é enxugado da natureza", disse.

O resultado é a destruição, cada vez mais acelerada e grave, do planeta. De acordo com Oliveira, cerca de 7,3 milhões de hectares de florestas são destruídos a cada ano em todo o mundo. Apenas no ano 2000, cerca de 350 milhões de hectares de matas do planeta foram dizimados pelo fogo. O palestrante lembrou que cerca de nove a cada dez casos de queimada há envolvimento humano direta ou indiretamente.

Erosão, compactação e perda da matéria orgânica, entre outros, atingem quase um terço das terras do planeta. Conforme estudo produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mais de 30% dos solos do mundo estão degradados. Além disso, segundo estudo da revista científica Science, em 58% da superfície terrestre a perda da biodiversidade está abaixo do "limite seguro".

Somada toda a destruição, ao final deste ano, por exemplo, teremos consumido 1,7 planetas. "Se pretendemos não aumentar a temperatura em 2°C, devemos reduzir produção e consumo", afirmou Oliveira. "Estamos todos dentro do mesmo barco, navegando para um mesmo local. Dependemos da natureza para tudo. A vida só prospera se o meio ambiente for preservado", disse. E para quem ainda tem dúvidas do quanto somos parecidos com o meio ambiente: oceano e corpo humano possuem 3,74% de sal; e 71% do planeta e do corpo humano são formados por água.