Espécie da vez

Irara: uma carismática comedora de mel

Única representante do gênero Eira é popularmente conhecida como papa-mel, já que o doce é um de seus alimentos preferidos

Foto Institucional Crédito: Fabrício Corsi Arias
26 de Maro de 2018

Da família das lontras e ariranhas, a irara (Eira barbara) é um mamífero onívoro presente em todos os biomas brasileiros. Porém nada tem de comum, afinal, é a única representante do gênero Eira.

Em Minas Gerais, a espécie pode ser vista nos Parques Nacionais Cavernas do Peruaçu e Grande Sertão Veredas e Parques Estaduais do Rio Preto e Serra do Cabral. Além do Brasil, a irara habita regiões tropicais e subtropicais da Argentina, Bolívia e Paraguai.

Apesar dos hábitos florestais, a irara já foi encontrada em pomares, plantações e outras áreas modificadas pelo homem. A facilidade de adaptação é uma de suas especialidades. Em relação à alimentação não é diferente, come desde frutas a roedores, insetos, pequenos vertebrados e aves. O mel também faz parte de sua dieta, por isso é conhecida popularmente como papa-mel. Até seu nome científico Eira, em Guarani, significa comedor de mel.

A irara é um predador ativo, sendo o olfato seu método principal para detecção de presas. Também é uma exímia exploradora, podendo viajar de dois a oito quilômetros por dia. Devido ao seu caráter explorador, prefere ocupar grandes áreas a demarcar um território. Realiza a maior parte de suas atividades durante o dia, especialmente no início da manhã e no final da tarde.

Já foi avistada em pares, mas seus hábitos são mais solitários. Na existência de um grupo, eles geralmente são compostos pela fêmea e seus filhotes. Os indivíduos se locomovem com astúcia tanto no solo, como em árvores. Sua cauda, que chega a medir até 47 centímetros, é responsável por lhe dar equilíbrio e manter o corpo ereto. Facilmente se pendura com as patas traseiras e usa a cauda para apanhar frutos. Possui membranas natatórias nas patas, por isso também tem habilidade para nadar. Possui pelagem escura ao longo de todo seu corpo esguio e musculoso.

Reprodução

Suas tocas são estabelecidas em troncos e ocos de árvores ou em áreas de gramíneas altas. A gestação dura entre 63 e 70 dias, podendo nascer de um a quatro filhotes, sendo o mais comum o nascimento de gêmeos. Os filhotes permanecem na toca até 50 dias de vida. O desmame ocorre a partir dos 75 dias, quando as fêmeas apresentam às crias outros alimentos e os ensinam a caçar. Para se comunicarem, os indivíduos utilizam a vocalização.

Ameaça

A perda de habitat é identificada como a principal ameaça à espécie. A retaliação por parte de produtores rurais também causa a morte de muitas iraras. É comum serem perseguidas por causa de danos provocados em colmeias artificiais, predação de galinhas, pomares e cultivos de frutas, especialmente o abacaxi.

Fonte: ICMBio