Espécie da vez

Sauim-de-coleira está criticamente ameaçado de extinção

Espécie é endêmica do Brasil e habita somente o Amazonas. Crescimento urbano desordenado é o principal fator responsável pela redução da população.

Foto Institucional Sauim-de-coleira / Crédito: Projeto Sauim-de-Coleira
30 de Janeiro de 2017

O sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) é uma espécie endêmica do Brasil. Ele está restrito a uma região bem limitada dentro e ao norte dos limites da cidade de Manaus e em algumas áreas pouco conhecidas dos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara - neste somente até a região do rio Urubu. A espécie é considerada "criticamente em perigo" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) desde 2003.

A espécie luta para sobreviver em meio ao crescimento urbano desordenado de Manaus, que destrói os últimos remanescentes de florestas que poderiam ajudar no processo de conservação. Desde a década de 90, observa-se o declínio populacional. Segundo biólogos, em até vinte anos a espécie pode desaparecer. Se isso acontecer, o Amazonas pode se tornar o primeiro estado brasileiro a ter um primata extinto.

Além disso, o sauim-de-coleira é ameaçado pela competição com o sauim-de-mãos-douradas (Saguinus midas), espécie também presente nas áreas de entorno da cidade de Manaus. Nesta relação de exclusão competitiva, o S. bicolor tem perdido áreas de florestas para o S. midas. Por isso, o bicolor é gradualmente deslocado em direção às florestas secundárias da área urbana, onde acaba sendo vítima de atropelamentos. E ainda há outro agravante: a significativa barreira geográfica dos rios Negro e Solimões impede que este primata tente sobreviver em outros locais.

Especialistas apontam a criação de unidades de conservação e corredores ecológicos como as melhores alternativas para salvar o sauim. No ano passado, uma petição online foi criada para pressionar as autoridades. Mais de 4.500 pessoas assinaram o abaixo-assinado, que ainda está recebendo adesões.

Características

Seu nome científico "bicolor" se justifica pela presença de duas cores no pelo. A parte frontal, braços, pescoço, tórax e parte das costas têm pelagem branca. Já a parte traseira do corpo é marrom alaranjada no dorso, na barriga e parte interna das pernas. A cabeça e a face não possuem pelos.

Uma característica peculiar do sauim é que, com exceção do dedo polegar, suas unhas são como garras bem afiadas, apropriadas para escalar árvores.

O corpo deste pequeno macaco mede entre 21 a 23 cm, sua cauda de 33 a 42 cm, e pesa cerca de 450 gramas.

Reprodução

O sauim-de-coleira vive em grupos familiares de dois a 15 indivíduos, com pouca concorrência interna. Somente a fêmea alfa do grupo terá filhotes. A reprodução das demais fêmeas é comportamentalmente suprimida. Entretanto, todo o grupo ajuda com o cuidado dos jovens, servindo de modelo para que aprendam a caçar e se alimentar.

O período de gestação dura de 140 a 170 dias e as mães geralmente dão à luz a gêmeos. Os jovens são atendidos principalmente pelo pai e entregues à mãe apenas para mamar.

Alimentação

Onívoro, a dieta do sauim consiste em frutas, flores, néctar, insetos, aranhas, pequenos vertebrados e ovos de aves.

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