Espécie da vez

Coruja-buraqueira vive em buracos abandonados por outros animais

Espécie cava túneis de até dois metros para fazer ninho

Foto Institucional Crédito: Arquivo Terra da Gente/G1
02 de Agosto de 2016

Embora seja considerada tímida, a coruja-buraqueira (Athene cunicularia) não tem vergonha nenhuma ao se apropriar de buracos alheios, abandonados por outros animais como tatus, cachorros-da-pradaria, texugos ou esquilos de chão.

Na chegada da primavera, o macho escolhe ou escava um buraco, normalmente em regiões de capim baixo, onde prenda com facilidade insetos e pequenos roedores no solo. O casal se reveza alargando o buraco, cavando um túnel de até dois metros e, por fim, forrando a cavidade do ninho com capim seco.

Para a construção, as aves coletam uma variedade de materiais, sendo o  mais comum o estrume, colocado dentro da câmara do ninho e em volta da entrada. Ele ajuda a controlar o microclima dentro do buraco, não o deixando quente demais.

Reprodução

A reprodução da coruja-buraqueira começa entre março ou abril. A espécie faz seus ninhos em cupinzeiros, buracos de tatu e buracos na areia em regiões litorâneas. As covas possuem em torno de 1,5 a 3 metros de profundidade e 30 a 90 centímetros de largura.

Normalmente, a fêmea põe de sete a nove ovos. A incubação dura de 28 a 30 dias e é executada somente pela fêmea. Enquanto isso, o macho providencia alimentação e proteção para os futuros filhotes. O pai fica responsável pelos pequeninos enquanto ainda estão no ninho. Eles se aventuram no mundo com aproximadamente 44 dias e começam a caçar insetos quando estão com 49 a 56 dias.

Características

Ave de pequeno porte, seu tamanho médio é de 23 centímetros. As sobrancelhas são brancas e os olhos amarelos. As corujas adultas possuem um tom de cor forte, têm o peito e a barriga com coloração parda, traços cor de terra e variações de marrom que lembram manchas e barras. Os jovens são similares na aparência, mas são gorduchinhos, desengonçados, com as penas descabeladas e coloração leve. Seu peito é totalmente branco, sem as variações marrons e possuem uma barra amarela passando por toda asa superior.

Ao contrário da maioria das corujas, o macho é ligeiramente maior que a fêmea e as elas são normalmente mais escuras. Tem voo suave e silencioso e o hábito de ficar sobre uma perna, o que não é copiado por outras espécies.

A coruja-buraqueira possui também uma ótima audição, conseguindo localizar sua presa com apenas este sentido. De hábitos diurnos e noturnos, é uma espécie ativa principalmente durante o crepúsculo.

Ela também é conhecida pelos nomes de caburé, caburé-de-cupim, caburé-do-campo, coruja-barata, coruja-do-campo, coruja-mineira, corujinha-buraqueira, corujinha-do-buraco, corujinha-do-campo, guedé, urucuera, urucuréia, urucuriá, coruja-cupinzeira (algumas cidades de Goiás) e capotinha.

Alimentação

É uma predadora com hábito carnívoro-insetívoro, sendo considerada generalista por consumir as presas mais abundantes de acordo com a estação. A coruja alimenta-se principalmente de insetos, mas pode caçar pequenos roedores, répteis, anfíbios e até pássaros pequenos.

Distribuição geográfica

Ocorre do Canadá à Terra do Fogo, bem como em quase todo o Brasil, com exceção da bacia Amazônica. Em função do desmatamento, a espécie tem expandido sua área de distribuição na Amazônia. Atualmente, já é uma ave relativamente comum nas áreas ao redor de Manaus.


Fonte: WikiAves