Entrevistas

O que vem pós Kyoto?
Foto Institucional
15 de Dezembro de 2009

No mês em que acontece a Cop-15, 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC - Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o secretário-executivo do Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas, Milton Nogueira, nos apresenta um breve panorama do que vem pela frente. Especialista em Negociações Internacionais Multilaterais, com foco na indústria, recursos naturais e clima, Nogueira, que é Engenheiro Metalúrgico, trabalhou por quase 20 anos na ONU (Organização das Nações Unidas).
 
O que pode efetivamente mudar a partir da Conferência de Copenhague, no cenário político mundial a respeito do Efeito Estufa?

Praticamente tudo na política mundial vai mudar para enfrentar as consequências do aquecimento global: migrações em massa, disputa por água e terra agricultável, avanço tecnológico, predomínio da política sobre mercados, mais local e menos globalização.
 
A proposta que o Brasil levou a Copenhague de redução de gases de efeito estufa (GEE) entre 36,1% e 38,9% até o ano de 2020 é bastante ambiciosa. O país consegue cumprir essa meta, principalmente se consideramos a timidez das medidas adotadas até o momento?

O Brasil, que não tem obrigação de diminuir emissões, simplesmente anunciou na COP-15 as metas internas, ou seja, sua colaboração para diminuir emissões, mas não fez propostas. A meta não chega a ser ambiciosa e é factível, dado que a principal fonte de emissões são as queimadas da Amazônia e do Cerrado. Metade da matriz energética do Brasil é de energias renováveis e, portanto, não é tímida, se comparada com apenas 12% da Europa e 6% dos EUA.

A redução de emissões de GEE em 17%, até o ano de 2020, proposta pelos EUA não é muito tímida para o país que é número dois em emissões, atrás apenas da China, que propõe queda de 40% no mesmo período?

Feitas as contas, a proposta dos EUA é de reduzir apenas 4% em relação a 1990.  Extremamente tímida e inócua.

No Brasil, as ações voluntárias do setor produtivo ainda são maiores e mais resultantes que as do poder público? De que forma isso pode ser observado?
 
Não, não são maiores. A redução de emissões de queimadas tem sido feita pelo setor publico federal e estadual e representa a maior cota de redução de emissões pelo país.
 
Quais são as metas do governo de Minas para os próximos anos e de que forma pretende cumpri-las? 

Minas vem se preparando para adotar política climática adequada. Para isso já preparou o inventario de emissões, zoneamento ecológico-econômico, levantamento de estoque de carbono em florestas e, principalmente, disseminação de informações sobre questões de mudanças climáticas. E também vem estruturando um painel de ciência do clima. Recentemente, anunciou a criação de um registro voluntário de emissões bem como a diretriz de comprar carros flex, pelo poder público estadual. Em breve iniciará a formulação de política climática, para consulta geral.
 
O combate ao Efeito Estufa prescindiria de medidas de controle de natalidade para redução da população mundial?
 
O aquecimento global tem uma correlação direta com o consumismo, em outras palavras com o desperdício. Por outro lado, os países grandes emissores de GEE per capita são os mesmos que têm o menor crescimento demográfico.

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