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Outdoor no Parque do Rola Moça alerta sobre alto índice de atropelamentos de animais silvestres

A cada ano, milhares de bichos são atropelados em rodovias brasileiras. Amda instalou outdoor na rodovia que corta a unidade de conservação.

05 de Março de 2018
Foto Projeto
Crédito: Amda

Morte por atropelamento nas rodovias já é considerada ameaça à fauna silvestre no Brasil maior do que o tráfico. Mudar esta situação depende de medidas técnicas como construção de passagens para travessia, sinalização, redutores de velocidade e fiscalização, o que não acontece. Denit e DERs não se importam com o problema. E mesmo os órgãos ambientais responsáveis pela proteção da fauna não dão mostras de interesse.

Visando alertar quanto aos atropelamentos, a Amda instalou outdoor na rodovia que corta o Parque Estadual da Serra do Rola Moça, que comporta grande fluxo de veículos por ser rota para condomínios, minerações e para o Inhotim. Em 2017, levantamento realizado pela administração da UC aponta que, em média, 15 mil carros transitaram na estrada por mês. Apesar das diversas curvas fechadas e quebra-molas, há trechos em que os veículos alcançam altas velocidades e que podem ser travessia de animais. Já foram registradas mortes de pássaros, mamíferos e répteis.

Ameaçado de extinção, o lobo-guará foi escolhido para estampar o outdoor e simbolizar a luta pela proteção da fauna silvestre. De um lado, a imagem do lobo livre na natureza. De outro, o triste registro da morte de um espécime após ser atropelado. O outdoor chama atenção dos motoristas: "Cuidado! Há vida à frente" e deixa o recado: "Dirija com muita cautela! Animais silvestres atravessam a pista". A entidade espera que o alerta auxilie na proteção dos animais, tanto do parque como de outros locais.

Atropelamentos em 2017

No ano passado, o Sistema Urubu - a maior rede social de conservação da biodiversidade brasileira, criada pelo CBEE - recebeu milhares de registros. Minas Gerais aparece em terceiro lugar no ranking de morte de animais nas rodovias. Foram registrados atropelamentos de quatro anfíbios, 45 répteis, 80 aves e 125 mamíferos, totalizando 254 animais atropelados no estado. O número pode parecer pequeno, mas vale lembrar que os dados foram compilados apenas pela plataforma. Infelizmente, centenas de atropelamentos não são registrados.
 
Doze espécies ameaçadas de extinção apareceram nos registros do sistema. Destas, aquela com maior número de ocorrências foi o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), com 51 indivíduos. O ranking segue com a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), anta (Tapirus terrestris), lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), jaguarundi (Pumayagouaroundi), bugio-ruivo (Alouatta guariba), gato-do-mato (Leopardus tigrinus), jacupemba (Penelope superciliaris), guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) e a onça-parda (Puma concolor).
 
"A situação é de calamidade. O Dnit e DER  são iguais aos traficantes e destruidores de habitats", afirma Dalce Ricas, superintendente da Amda.


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