Especulação imobiliária é causa provável dos incêndios que atingiram Alter do Chão

Incêndio em Alter do Chão queimou área equivalente a 1.600 campos de futebol em setembro / Crédito: Eugenio Scanavino

Em áudio enviado ao governador do Pará, o prefeito Nélio Aguiar diz haver provável apoio de policiais

Áudio inédito aponta o envolvimento da polícia na queimada que destruiu a Área de Proteção Ambiental Alter do Chão, no Pará, em setembro. Na gravação, o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), afirma ao governador do estado, Helder Barbalho (MDB), que o incêndio foi causado por "gente tocando fogo para depois fazer loteamento, vender terreno" e que essas pessoas contam com o apoio de policiais. O áudio foi obtido pela Repórter Brasil.

O contato aconteceu em 15 de setembro, dia que um incêndio de grandes proporções atingiu a APA. Em contato com a Repórter Brasil, Aguiar disse que o local é área de conflito desde 2015 e que tem uma pessoa foragida. "Uma área perigosa, uma área de conflito e que a suspeita do incêndio era criminoso. Eu não sou polícia, sou prefeito, não tenho poder de investigação nem de mandar na polícia", afirmou.

A mensagem do prefeito coloca em xeque a prisão, no último dia 26, de quatro voluntários da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, acusados de iniciarem o fogo. Antes da soltura, no dia 28, o governador do Estado anunciou a troca do comando do inquérito, que estava com a Delegacia de Conflitos Agrários do Baixo e Médio Amazonas. Quem assumiu o caso foi o diretor da Delegacia Especializada em Meio Ambiente, Waldir Freire.

O áudio confirma também a linha de investigação do Ministério Público Federal, que aponta que o incêndio foi provocado por grileiros interessados em vender lotes. Quando pediu acesso ao inquérito da Polícia Civil, o MPF emitiu nota enfatizando que não há indícios de participação dos brigadistas ou organizações da sociedade civil. “Ao contrário, a linha das investigações federais, que vem sendo seguida desde 2015, aponta para o assédio de grileiros, ocupação desordenada e para a especulação imobiliária como causas da degradação ambiental em Alter”, informa a nota.

Jair Bolsonaro, que em agosto acusou ONGs de “estarem por trás das queimadas na Amazônia”, usou a prisão dos brigadistas para voltar a culpar organizações da sociedade civil pelos incêndios. Na última sexta-feira (29), Bolsonaro acusou o ator Leonardo DiCaprio de “dar dinheiro” para “tacar fogo na Amazônia”. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também usou politicamente o episódio dos brigadistas. No Twitter, ele postou trechos de diálogos dos brigadistas interceptados pela Polícia Civil. O fogo em Alter do Chão consumiu uma área equivalente a 1.600 campos de futebol e levou quatro dias para ser controlado por brigadistas e bombeiros.

 

 

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