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Terra Indígena Yanomami começa a se recuperar da invasão do garimpo

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Terra Indígena Yanomami começa a se recuperar da invasão do garimpo
Garimpo na Terra Indígena Yanomami. Crédito: Bruno Kelly/Amazônia Real

A Terra Indígena Yanomami (TIY), que no ano passado possuía mais de 20 mil garimpeiros em seu território, começa a se recuperar da invasão do garimpo ilegal. Pela primeira vez desde 2020, a Polícia Federal não detectou avanços da atividade na reserva.

Entre abril e maio desse ano foram 33 alertas novas áreas de garimpo contra 538 no mesmo período do ano passado. Em junho, não houve mais alertas. O anúncio acontece seis meses após o início de operação do governo federal para expulsão dos garimpeiros.

A crise humanitária no território Yanomami veio a público no início do ano, revelando os abusos, a violência e a miséria que os indígenas enfrentaram durante o governo Bolsonaro.

Monitoramento da Hutukara Associação Yanomami (HAY), feito a partir de imagens de satélite, mostrou que a atividade cresceu 54% em 2022, devastando mais de 1,7 mil hectares na TIY. Entre outubro de 2018 e dezembro de 2022, o desmatamento associado ao garimpo cresceu 309% na reserva.

No relatório “Yanomami sob ataque: garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo”, a organização denunciou o avançou da atividade ilegal. Em relatos chocantes, os indígenas contaram sobre os estupros, os assassinatos e as doenças trazidas pelos garimpeiros.

Sinais de melhora

As sequelas do garimpo vão perdurar na vida dos indígenas, assim como o passivo ambiental deixado pela atividade. Os casos de desnutrição, doenças respiratórias e malária também são motivos de preocupação, mas, com a saída gradativa dos garimpeiros, os indígenas relatam sinais de melhora.

“Eu acabo de voltar da aldeia Parafuri e vi que a água está mais limpa, que árvores estão nascendo. Fico muito feliz”, informou Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi Y-Y), à DW.

Dados do Ibama apontam redução de 82% na abertura de novas áreas de garimpo entre fevereiro e junho na comparação com mesmo período do ano anterior. O órgão já destruiu 335 acampamentos usados pelos garimpeiros na TIY. Porém, isso não significa que não existem mais garimpeiros na reserva.

O relatório “Nós ainda estamos sofrendo”, produzido por organizações Yanomami e Ye’kwana, aponta a insegurança dos indígenas, devido à permanência de garimpeiros armados e grupos criminosos no território, que continuam extraindo ouro clandestinamente e aterrorizando as comunidades.

Em resposta aos problemas levantados, a ministra dos povos indígenas disse que “reconhece que ainda há questões a serem resolvidas envolvendo a Terra Indígena Yanomami, mas a reconstrução dos estragos que foram feitos ao longo de anos de descaso leva algum tempo”.