Cogumelo que brilha no escuro é descoberto na Amazônia

Mycena cristinae. Crédito: revista Mycoscience

Mycena cristinae é a segunda espécie de fungo bioluminescente encontrada na região.

 

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) descobriram nova espécie de cogumelo bioluminescente no estado do Amazonas. Encontrado na região do rio Cuieiras, entre Manaus e Maués, Mycena cristinae é a segunda espécie de fungo com bioluminescência descoberta na região.

Apesar de inédita para a ciência, M. cristinae é um velho conhecido de comunidades indígenas que vivem no local. Entre eles, os fungos usados como sinalização nas noites escuras, são conhecidos como “brilhos da floresta”.

Noemia Ishikawa, pesquisadora do INPA e uma das cientistas por trás da pesquisa, conta que tudo aconteceu quando Aldevan Baniwa, pertencente à etnia Baniwa, a convidou para conhecer os “brilhos da floresta”. “Quando ficamos no meio do mato, apagamos as lanternas e começamos a ver os brilhos das folhas colonizadas por fungos bioluminescentes: a emoção foi indescritível”, contou Noemia.

O contato da pesquisadora com os fungos brilhantes aconteceu em 2017. Depois de longo processo de pesquisa, de análise dos espécimes e comparações com variedades já conhecidas, ela e outros pesquisadores chegaram à conclusão de que os tais “brilhos da floresta” tratavam-se de uma espécie desconhecida pela ciência.

“Nesse caso, para confirmar se realmente era uma nova espécie, nós estudamos a descrição da morfologia, da parte microscópica, as células, que são utilizadas para a identificação da espécie, além de fazer a sequência de DNA, e constatamos que esse era um tipo diferente de fungo bioluminescente”, explicou a pesquisadora.

O nome da espécie, M. cristinae, é uma homenagem à Cristina Maki, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que trabalhou na pesquisa do novo fungo. Cristina morreu antes da conclusão do trabalho.

O resultado do estudo foi publicado em artigo na revista científica japonesa Mycoscience, especializada no assunto. Além da publicação, Noêmia e outros pesquisadores envolvidos na pesquisa dos fungos bioluminescentes publicaram um livro, intitulado “Brilhos da Floresta”, para levar a descoberta ao público.

Bioluminescência

Bioluminescência é o nome dado ao fenômeno de luzes produzidas por seres vivos. O caso mais comum de bioluminescência é o vaga-lume, mas ele não é o único na natureza a produzir brilho. Trata-se de um fenômeno químico, resultado de seu metabolismo energético, em que uma substância chamada luciferina produz energia em forma de luz.

Há registro de outras espécies de fungos que brilham. Na Amazônia, em 2009, pesquisadores do INPA descobriram que o Mycena lacrimans, uma espécie de fungo já conhecida, era bioluminescente. Como o brilho só pode ser visto em noites escuras, sem interferência de luzes artificiais, muitos cogumelos já descritos pela ciência podem ser bioluminescentes. Na Mata Atlântica paulista também há registros de fungos bioluminescentes.

O motivo para a bioluminescência no reino Fungi, porém, não é consensual. “Várias hipóteses vêm sendo propostas e avaliadas, uma delas é a atração de dispersores de esporos. Outra linha argumenta que este seria apenas uma consequência ocasional das cadeias metabólicas destes fungos envolvendo o oxigênio e a respiração. O porquê e para que, a ciência ainda não tem uma resposta conclusiva. E pode ser que a luminescência tenha múltiplas funções e influências para esses fungos e para com quem interagem na natureza”, detalhou Jadson Oliveira, um dos pesquisadores do estudo.

Os pesquisadores destacam que os fungos, bioluminescentes ou não, possuem papel importante nos ecossistemas. Eles decompõem matéria orgânica, como galhos, troncos e folhas secas, fazendo com que seus nutrientes sejam absorvidos por outros organismos. Assim, funcionam como recicladores da floresta.

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