Romeu Zema simplifica problemas, confunde realidades e critica ambientalistas

Enchente assolou Mário Campos, na Grande BH, no último dia 10. Crédito: Gabriele Lanza/TV Globo

Para a Amda, as declarações revelam desconhecimento do assunto.

Press release

Belo Horizonte, 12 de janeiro de 2022 – O governador de Minas, Romeu Zema, declarou recentemente que, no passado, ambientalistas de uma forma que considera equivocada, condenaram a construção de barragens como Belo Monte e Santo Antônio, que hoje produzem uma fração da energia que poderiam produzir.

Para a Amda, a declaração demonstrou que o governador não conhece os impactos sociais, econômicos e ambientais causados pela construção de hidrelétricas, foca somente a produção de energia e esquece que o Brasil não tem projeto de produção da mesma baseado em eficiência energética, fontes alternativas menos impactantes, proteção das bacias que abastecem os reservatórios existentes e políticas de combate às mudanças climáticas.

Ao contrário de sua fala, os ambientalistas não se posicionam contra a ampliação do sistema de geração elétrica. Propõem somente a busca de alternativas de menor impacto. Grandes hidrelétricas em ambientes de complexidade ecológica, como os rios amazônicos, que abrigam enorme quantidade de espécies de peixes, muitos deles migradores, que precisam subir o rio para desova, têm efeitos perversos sobre o meio ambiente e sobre populações que dependem da pesca para sua sobrevivência.

As hidrelétricas citadas causaram impactos irreversíveis nas bacias dos rios Xingu e Madeira, colapsando ecossistemas, comunidades tradicionais e povos originários e gerando conflitos socioambientais. Mesmo assim, o governo defende modelos como o de Balbina ou Itaipu, que destruiu patrimônio da humanidade, como as Sete Quedas do Iguaçu.

Disse ainda que "Atendemos os ambientalistas e, agora, as termelétricas ficam ligadas.
Então, pergunto: será que esses ambientalistas estão protegendo ou danificando a natureza? Porque hoje o Brasil é um país que depende de queimar combustível fóssil para produzir a energia elétrica que precisa".

“Romeu Zema deveria olhar para si mesmo antes de fazer declarações simplórias. Em seu
governo, o desmatamento e consequente desproteção das bacias hidrográficas que mantém reservatórios só vem aumentando. A Cemig não demonstra o mínimo interesse em protegê-las e recuperá-las. Só que ganhar dinheiro. Só fala em economia na seca. Fora disso, quanto mais desperdício melhor”, disse Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda.

E completa: “Já que o governador está tão preocupado com os impactos das usinas termelétricas, deveria construir políticas sérias de proteção do meio ambiente no Estado ao invés de fazer proselitismo vazio e inútil, começando por políticas de combate às alterações climáticas”,

Gustavo Malacco, diretor de sustentabilidade da ONG Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá), destaca que “o governador parece criar factoides para desviar o foco em relação a sua inabilidade ou incapacidade de prevenção e enfrentamento em relação às chuvas, que assolam o Estado”. E completa lembrando que a ligação de usinas termelétricas decorre justamente da ausência de política energética aliada à proteção do meio ambiente.

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