Deputado paranaense Luiz Claudio Romanelli compara restinga a “matagal”

Crédito: ALEP/Divulgação [CC PDM]

Para ele, o “mato” tem de ser removido pois “atrapalha o desenvolvimento”. 

Demonstrando desconhecimento ou por má fé, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) comparou, na última segunda-feira (3), a restinga do litoral paranaense a “matagal” que deve ser removido e disse que o Estado precisa de um senador mais “pé no chão” para defender seus interesses: "Eu fico incomodado com a falta de solução para esse matagal no litoral, que alguns chamam de restinga. Nos outros estados não tem esse matagal", disse Romanelli em entrevista à TVCI do Litoral.

O deputado, em setembro de 2021, já havia classificado a restinga como mato inútil, para defender obras no litoral paranaense, e criticou estudo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que alertava para os impactos das obras à vegetação local, usando comparação feita pelo governador Ratinho Júnior, de que Santa Catarina estava virando Miami, enquanto o Paraná se transformava no Haiti.

O PSB, através do deputado Rodrigo Agostinho, ocupou a presidência da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputado até março de 2021.

Restinga

A restinga é um ecossistema costeiro associado ao bioma Mata Atlântica, reconhecido pela grande resiliência e biodiversidade de plantas e vegetais. Sua vegetação desenvolve-se em ambientes com extremos de temperatura, ventos fortes, escassez de água e solo arenoso, ocupando áreas que pouquíssimas outras plantas conseguiriam habitar.

A restinga apresenta uma complexa rede de filamentos e raízes capaz de “fixar” a areia da praia e impedir que ventos fortes a desloquem até o continente, segurando o avanço do mar em direção às cidades, evitando erosão de ruas, calçadas, muros e estabelecimentos comerciais, como vem acontecendo em diversas áreas litorâneas onde foi suprimida par dar lugar à ocupação humana.

Ela promove a conservação de outro ecossistema igualmente importante: o manguezal. Este local de transição entre os ambientes terrestre e marinho, típicos de regiões tropicais, os manguezais sobrevivem graças à retenção de areia que impede o “soterramento” de suas zonas alagadiças.

É também local de refúgio, alimentação e descanso de diversas espécies de aves migratórias e sua degradação afeta diretamente, a biodiversidade de outros continentes. Ninhos de tartarugas marinhas, e abrigo para espécies de crustáceos, como siris e caranguejos além de mamíferos como gambás, tatus e pássaros são exemplos da importância da restinga na proteção da biodiversidade.

 

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