Vereadores do Rio aprovam projeto que protege a Floresta do Camboatá

A Floresta do do Camboatá abriga fragmento raro de Mata Atlântica de baixada e espécies ameaçadas. /Crédito: Brenno Carvalho

A floresta é o lar de centenas de espécies da fauna e flora nativas, com ao menos 21 delas ameaçadas de extinção. A área quase foi destruída para dar lugar a autódromo.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, neste mês, projeto de lei que cria o Refúgio de Vida Silvestre da Floresta do Camboatá. Com 171,5 hectares de extensão, o refúgio protegerá o que sobrou da Mata Atlântica de terras baixas na cidade do Rio, impedindo a construção do autódromo que seria instalado na região.

Sem a presença do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), único contrário ao projeto no 1º turno, a proposta foi aprovada por unanimidade e segue para a análise do prefeito Eduardo Paes (PSD). Se sancionado, o texto colocará fim na novela que se arrasta desde 2011, quando surgiram os primeiros rumores da construção de um autódromo internacional sobre a Floresta do Camboatá, na zona oeste do Rio.

Nos últimos anos, movimentos em prol da floresta uniram esforços para barrar o empreendimento, que recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro, dos governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro e do antigo prefeito, Marcelo Crivella. Para a vitória da sociedade civil, o autódromo foi descartado no início do ano, quando Eduardo Paes assumiu a prefeitura e cumpriu sua promessa de campanha de manter a floresta.

Para construir o autódromo seria necessário derrubar mais de 200 mil árvores de 146 espécies, desmatando uma área de quase 160 hectares. O vereador Chico Alencar (PSOL) comemorou a decisão e elogiou a atuação da sociedade em suas redes sociais: “A batalha não foi fácil, mas felizmente conseguimos esta baita vitória, que só é possível porque a comunidade lutou, não esmoreceu e se mobilizou.”

Importância ambiental

Segundo o Movimento SOS Floresta do Camboatá, a floresta é o lar de centenas de espécies da fauna e flora nativas, com ao menos 21 delas ameaçadas de extinção. Além de aumentar a umidade relativa do ar, a floresta funciona como uma “ilha de frescor”, em contraponto ao fenômeno das “ilhas de calor, decorrente das edificações e do excesso de pavimentação dos solos.

A área abriga um dos últimos e mais importantes remanescentes de Floresta Ombrófila de Terras Baixas, ecossistema da Mata Atlântica que quase desapareceu por causa da expansão urbana. Trata-se de um dos últimos refúgios na cidade do Rio para o peixe-das-nuvens, uma espécie de peixe de água doce criticamente ameaçado.

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