Nascimentos de tartarugas-da-amazônia crescem 300% no Parque Estadual do Cantão

Crédito: Ibama/Divulgação

Pela primeira vez, mais de 100 mil nascimentos foram registrados no parque, um refúgio para a espécie.

As tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), que já foram intensamente caçadas no passado, hoje veem suas populações serem recuperadas graças ao trabalho de um dos maiores projetos de conservação animal do Brasil: o Programa Quelônios da Amazônia, do Ibama. No ano passado, a iniciativa registrou, pela primeira vez, o nascimento de 120 mil filhotes no Parque Estadual do Cantão, no Tocantins.

Isso significa um aumento de 300% em relação aos últimos quatros anos, que também bateram recordes de nascimentos. Em 2017, foram registrados 40 mil novos filhotes; em 2018, 76 mil; e em 2019, 96 mil. A tartaruga-da-amazônia é uma das mais comuns entre as 18 espécies de quelônios presentes na Amazônia e as 11 encontradas no Tocantins.

Podocnemis expansa é o maior quelônio de água doce da região, cujo casco pode chegar um metro de comprimento. O Brasil é o único país que ainda possui populações abundantes da espécie, que pode ser encontrada nos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

Impacto das queimadas

Apesar do entusiasmo com os novos nascimentos, os pesquisadores estão preocupados com a mudança no padrão de desova da espécie. Desde 2018, a praia da Onça era um dos locais de desova das tartarugas-da-amazônia no Parque Estadual do Cantão, mas, no ano passado, elas desovaram na praia de Abrãaozinho.

“Houve uma queimada muito grande próximo à Praia da Onça e isso pode ter alterado o padrão reprodutivo. As tartarugas buscaram um local onde se sentiram mais seguras”, explicou o engenheiro ambiental Thiago Portelinha, pesquisador da Universidade Federal do Tocantins, uma das parceiras do Projeto Quelônios da Amazônia. 

O monitoramento da tartaruga-da-amazônia começa por volta de setembro, quando as fêmeas iniciam a desova. Esse fenômeno acontece uma vez por ano. Cada ninhada corresponde, em média, a 100 ovos. Os filhotes rompem os ovos e nascem após um período de incubação, que dura 60 dias.

Monitorar o comportamento da espécie é crucial, destacam os pesquisadores, considerando o papel fundamental da tartaruga no ecossistema amazônico. Esses quelônios servem de alimento para vários animais, como onças e jacarés, além de ajudarem na manutenção da qualidade da água e na dispersão de sementes.

 

Com informações de mongabay

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