Produção de plástico pode dobrar até 2025

Brasil produz 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico por ano, mas recicla menos 2%.

De um lado, as medidas de isolamento impostas para conter a pandemia do novo coronavírus provocaram queda recorde nas emissões de gases de efeito estufa, dando um respiro à natureza. De outro, a demanda crescente por equipamentos de proteção individual (EPIs), materiais hospitalares e embalagens para serviços de entrega, fez crescer o uso e descarte de plásticos descartáveis na natureza.

Só no Brasil, a geração de lixo hospitalar cresceu 20% em comparação ao ano anterior, revelou o Atlas do Plástico, estudo inédito produzido pela fundação alemã Heinrich Böllo. Segundo dados do WWF-Brasil citados no levantamento, o país ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção de plástico, gerando 11,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano.

Além de ser um dos maiores produtores do material, o país é um dos que menos recicla. De todo o lixo plástico produzido anualmente, o Brasil recicla menos de 2%. A maior parte do que é descartado vai para os oceanos, ameaçando os ecossistemas marinhos. Estima-se que entre 70 mil a 190 mil toneladas de lixo plástico são despejados por ano nos mares pelas comunidades costeiras.

“Entre 1950 e 2017, um total de 9,2 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas. Isso representa mais de uma tonelada por cada pessoa que vive hoje em dia no planeta Terra. A maior parte consiste em produtos e embalagens de uso único. Menos de dez por cento de todo o plástico já produzido foi reciclado”, indicou o levantamento.

Apesar da grande quantidade de plástico já estocada nos solos e mares, a tendência é que a produção do material dobre nos próximos anos. Em 2025, a produção de plástico deverá atingir mais de 600 milhões de toneladas por ano, um aumento de 50% em relação à produção atual.

Se a tendência persistir, os plásticos serão responsáveis pela emissão de 56 gigatoneladas de dióxido de carbono até 2050. Estas emissões consumiriam de 10% a 13% do “saldo” de emissões de carbono para manter a temperatura global abaixo de 1,5°C, como prevê o Acordo de Paris. Em outras palavras, o consumo de plástico está acelerando as mudanças climáticas, indicou a pesquisa. 

Alternativas

Apesar de importante, a reciclagem é a segunda forma mais eficiente de resolver o problema do plástico. A melhor e mais simples é não produzir nem consumir tanto o plástico, destacaram os autores do estudo. Cada um deve fazer a sua parte. 

“Como indivíduos, há medidas que cada um pode tomar para contribuir com a redução do tsunami [de plástico]. A limpeza e separação dos materiais para mandar a reciclagem, por exemplo, constitui um hábito que não se pode perder. Evitar o envio de materiais de higiene, como luvas e máscaras, para coleta seletiva junto com o material reciclável e, sempre que possível, separá-los em sacolas próprias ou no lixo do banheiro”, apontou o levantamento.

Veja: Dez itens plásticos para você abandonar hoje.

 

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