Tartarugas gigantes voltam para casa após salvarem futuro da espécie

Diego tinha aproximadamente 100 anos.

Macho conhecido como Diego deu origem a aproximadamente 800 filhotes, auxiliando no repovoamento da ilha Española, em Galápagos.

Passadas décadas procriando em cativeiro para salvar sua espécie da extinção, um grupo de 15 tartarugas gigantes foi devolvido ao seu habitat natural na última segunda-feira (15). Graças ao programa de reprodução, a população da espécie Chelonoidis hoodensis passou de 15 para 2.000 exemplares na ilha Española, em Galápagos, no Equador.

Somente Diego, um macho de aproximadamente 100 anos, foi responsável por pelo menos 800 das duas mil crias nascidas em cativeiro. Tamanha fertilidade fez com que se tornasse símbolo da conservação de Galápagos. O animal viveu 30 anos no jardim zoológico de San Diego, nos Estados Unidos, até ser recrutado para o Programa de Restauração de Tartarugas Gigantes, conduzido na Ilha de Santa Cruz. 

Diego foi encontrado depois que os pesquisadores rodaram o mundo à procura de um espécime masculino que contribuísse com a variabilidade genética da espécie, que era composta por apenas 12 fêmeas e dois machos quando o programa começou, em 1960. Provavelmente ele foi retirado de sua ilha natal por meados dos anos 1930, retornando em 1976 para integrar o projeto.

Devido ao desempenho de Diego e de seus companheiros, a espécie saiu do estado crítico em que se encontrava. Em análise, as autoridades locais constataram que há “condições suficientes para manter a população de tartarugas, que continuará a crescer normalmente, mesmo sem qualquer nova intervenção”.

Segundo o Parque Nacional de Galápagos, além do repovoamento, a inciativa conseguiu a restauração ecológica da ilha, com a erradicação de espécies invasoras e a regeneração dos cactos. Dessa forma, o ecossistema local está pronto para receber a crescente população de tartarugas.

Biodiversidade

Galápagos abriga uma das maiores taxas de endemismo do mundo, ou seja, grande parte de suas espécies não ocorrem em nenhum outro lugar do mundo. Cerca de 80% das aves, 97% dos répteis e mamíferos terrestres e mais de 30% das plantas são endêmicas ao arquipélago, de acordo com a Galapagos Conservancy.

As tartarugas gigantes estão entre as singulares criaturas existentes nas ilhas. Ao todo, 15 espécies do grupo ocorrem na província do Equador. Além de Galápagos, apenas no Atol Aldabra, no Oceano Índico, estes répteis podem ser encontrados.

No ano passado, uma fêmea da espécie Chelonoidis phantasticus foi encontrada no arquipélago depois de ficar desaparecida por mais de 100 anos. Agora, os pesquisadores procuram por mais exemplares, para tentar reproduzi-los, na esperança de salvar mais uma espécie existente em Galápagos.

 

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