Peixe-boi-marinho pode perder metade de sua população em 60 anos

Poluição, expansão urbana e atividades humanas insustentáveis são as maiores ameaças à espécie

Desde a colonização do Brasil, as populações do peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) reduziram drasticamente em consequência da caça predatória, sendo extinto em boa parte de sua distribuição original. Hoje, embora a caça ainda exista, a ocupação desordenada do litoral e o uso inadequado dos estuários e zonas costeiras tornaram-se as maiores ameaças ao animal.

Restrito a um perímetro de 5 mil quilômetros, a espécie depende de águas calmas e rasas  que contenham capins e algas para sobreviver. Entretanto, estes ambientes têm perdido a qualidade devido a intensa atividade pesqueira, dragagem, despejo de poluentes e outras ações humanas. O assoreamento das águas, bem como a poluição química, física e sonora são os fatores que mais prejudicam o mamífero.

Nos estuários, ideais para as fêmeas darem à luz e dispensarem os primeiros cuidados aos filhotes, o assoreamento impede a utilização do ambiente como berçário e ainda bloqueia o acesso à água doce. Com isso, as mães se deslocam para águas mais agitadas, onde os filhotes frequentemente se perdem e acabam encalhados em praias.

Pesquisas indicam que, todos os anos, entre setembro e abril, uma média de três filhotes encalha no litoral do Nordeste. Mesmo quando são resgatados, dificilmente conseguem voltar para sua população original, considerando a dificuldade de soltá-los em seu habitat. A situação se agrava, pois a cada filhote que encalha e não consegue voltar para o seu grupo, as chances de perpetuação da espécie diminuem.

Estima-se que o número de peixes-boi-marinhos no Brasil não ultrapasse os mil, fazendo com que seja classificado como “em perigo” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018.

Segundo informações do livro, algumas características do mamífero potencializam seu grau de ameaça. Entre elas a lenta reprodução e o comportamento dócil, que permite a aproximação de humanos. Quando tocado, o peixe-boi espera por mais interação, deixando-o mais suscetível ao encalhe.

O animal também é bastante vulnerável a doenças infecciosas, fator que o coloca em risco quando nada em águas contaminadas com efluentes industriais e lixo doméstico. Em contato com a poluição, a espécie pode até não ser intoxicada de imediato, mas viver em ambientes poluídos enfraquece seu sistema imunológico.

Com base nas ameaças à espécie, já fragilizada pela caça, o prognóstico é que haja um declínio populacional de pelo menos 50% ao longo de três gerações, cerca de 60 anos. Atualmente, o mamífero é considerado extinto nos estados da Bahia, Sergipe e Espirito Santo.

Especialistas acreditam que para reverter o quadro é preciso refinar as áreas prioritárias para a conservação da espécie, monitorar o impacto da pesca sobre o animal e promover ações de conscientização com as comunidades locais.

Curiosidades

Para manter seu peso médio de 600 kg, o peixe-boi-marinho pode consumir até 60 kg de plantas aquáticas por dia. O nome “peixe-boi” é por causa do principal alimento da espécie: o capim-agulha, comum em praias e estuários. Apesar não possuir orelhas, escuta muito bem através de dois orifícios localizados atrás dos olhos. No Brasil, a população da espécie pode ser encontrada do Alagoas até o Amapá

Saiba mais sobre o peixe-boi

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