Atropelamento é uma das principais ameaças aos carnívoros do Brasil

A onça-parda é um dos mamíferos cidentais vivos com maior área de distribuição.

Em 80% das espécies avaliadas o atropelamento foi considerado uma das ameaças mais expressivas

Populações de onça-pintada, lobo-guará, cachorro-vinagre, ariranha e demais mamíferos carnívoros brasileiros estão em declínio devido à perda de habitat e/ou redução da qualidade de seus ambientes naturais. Outros fatores como atropelamentos em rodovias, caça furtiva e até a transmissão de doenças por animais domésticos também têm contribuído para o desaparecimento das espécies.

O prognóstico é de um grupo de especialistas participante da 2ª Oficina de Avaliação Nacional do Risco de Extinção de Mamíferos Carnívoros, promovida pelo Centro de Formação em Conservação da Biodiversidade (ACADEBio), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ao todo, a junta avaliou o status de ameaça de 28 espécies de mamíferos carnívoros do país.

“Algo que chamou atenção nesta oficina foi que, em 80% das espécies avaliadas, a ameaça de atropelamentos em rodovias e ferrovias foi considerada como uma das mais expressivas, atuando na morte direta de indivíduos ou causando potenciais efeitos de isolamentos genéticos”, destacou a bióloga Fernanda Abra, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Os técnicos avaliaram uma série de fatores, incluindo áreas ocorrência, ameaças e contingente populacional dos animais. Eles ressaltam a importância do levantamento, considerando que estratégias de conservação só são eficientes quando há dados atualizados sobre as espécies.

Segundo o pesquisador da Universidade Federal de Goiás e coordenador do grupo de pesquisa do Programa de Conservação Mamíferos do Cerrado (PCMC), Frederico Lemos, mais da metade das perdas de raposas-do-campo (Lycalopex vetulus) e lobos-guará (Chrysocyon brachyurus) foram por atropelamento e caça por retaliação. Lembrando que os números são de animais monitorados em zonas modificadas pelo homem, sobretudo na área central do país.

Outra descoberta da pesquisa é que alguns animais enfrentam ameaças locais de extinção, como é o caso da onça-parda (Puma concolor). O felino não corre tanto risco de desaparecer do Brasil em um futuro próximo, levando em conta sua ampla distribuição pelo país, mas nas regiões Sudeste e Sul a situação é preocupante. Atualmente a espécie está categorizada como “vulnerável” nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e em “perigo” em Santa Catarina.

Cachorro-do-mato (Cerdocyon thous), quati (Nasua nasua), mão pelada (Procyon cancrivorus), furão-pequeno (Galictis cuja), furão-grande (Galictis vittata) e irara (Eira barbara) foram algumas das espécies que escaparam das categorias de ameaça, portanto não correm risco de extinção.

A região amazônica foi apontada pelos especialistas como um grande refúgio para a fauna, apesar de abrigar espécies ainda pouco conhecidas, como doninha-amazônica (Mustela africana), cachorro-de-orelha-curta (Atelocynus microtis) e jupará (Potos flavus).

Fauna ameaçada

A última atualização da Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção foi concluída em 2014 e abrangeu 12.256 táxons, dos quais 732 eram mamíferos, 1.980 aves, 732 répteis, 973 anfíbios e 4.507 peixes, totalizando 8.924 vertebrados.

De invertebrados foram estudadas 3.332 espécies, entre crustáceos, moluscos, insetos e poríferos. No total, 1.173 animais se encaixaram em algum grau de ameaça de extinção de acordo com os critérios adotados pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês).

Além de auxiliarem na ampliação do conhecimento acerca da ecologia e ocorrência das espécies, estas listas são cruciais para a gestão ambiental do país, visto que elas devem ser consideradas nos processos de licenciamento e fiscalização de crimes ambientais, bem como na criação de novas unidades de conservação.

Ou seja, sem esses estudos é impossível saber e provar que um novo empreendimento pode afetar uma determinada espécie, ou mostrar que é necessária a demarcação de novas áreas protegidas. Os técnicos ainda destacam a necessidade da elaboração de livros vermelhos da fauna em níveis estaduais, tendo em mente a ampla extensão territorial brasileira e as caraterísticas especificas de cada bioma.

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