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Minas Gerais cria dois parques

Minas Gerais cria dois parques
Vista parcial da Serra Negra da Mantiqueira / Crédito: Lúcio Lima/IEF

No último dia 5, o Diário Oficial de Minas Gerais publicou a criação de dois novos parques estaduais: Serra Negra da Mantiqueira e Botumirim. Com 4.203 hectares, o Serra Negra estende-se pelos municípios de Lima Duarte, Olaria, Santa Bárbara do Monte Verde e Rio Preto. Já Botumirim possui 35.682 hectares, distribuídos pelo município de mesmo nome e Boicaiúva.

Em audiência pública realizada na ALMG na última quarta-feira (4), moradores, proprietários rurais, deputados e prefeitos externaram discordância sobre a criação do Parque Serra Negra. O prefeito de Lima Duarte, Geraldo Gomes de Souza, município que abriga o Parque Estadual do Ibitipoca, que tem a maior frequência turística entre as unidades de conservação estaduais, apoiou a criação, citando os benefícios gerados pelo turismo no mesmo. Recebeu também apoio de uma proprietária rural da região, que testemunhou sua importância para melhoria da qualidade de vida na região e de ambientalistas presentes.

O secretário de Estado de Turismo em exercício, Gustavo Pessoa Arrais, defendeu a criação do parque, citando a importância do turismo para o desenvolvimento da região e destacando a necessidade dos moradores enxergarem essa proposta como uma oportunidade. Arrais comentou sobre diversos estados e países que vem sendo bem-sucedidos no que se refere à geração de emprego e renda através do turismo, como Monte Verde, cidade com pouco mais de 4 mil habitantes que hoje tem mais de 190 hotéis e vem se consolidando como um dos principais destinos turísticos do Brasil.

Os prefeitos de Santa Bárbara, Ismael Teixeira de Paiva, e de Olaria, Luiz Eneias de Oliveira, afirmaram que o parque não interessa à população local nem aos proprietários das terras, e que se a região ainda está preservada o mérito não é do governo, e sim dos moradores, que sempre cuidaram bem do local. O deputado Antônio Carlos Arantes (PSDB) manifestou-se enfaticamente contra a criação do parque, tanto na audiência, quanto no facebook, argumentando que indenização dos proprietários, à semelhança de outras unidades de conservação, não está prevista pelo governo. Criticou também a gestão dos parques já criados, chegando a afirmar que “onde está o poder público está tudo queimado e onde estão os cidadãos, preservados”.

Para Dalce Ricas, superintendente da Amda, o argumento de indenização é real, mas não pode impedir a criação de unidades de conservação. “O deputado e outros que com ele se alinham e brandem este argumento nunca se mobilizaram em defesa da regularização fundiária. Curiosamente só o utilizam para atacá-las. Se sua preocupação fosse efetivamente a indenização, já teriam agido, não só neste governo, mas também nos anteriores para destinação de recursos. O orçamento do governo é analisado e aprovado pela ALMG. Está mais que provada a importância das UCs para proteção da biodiversidade e da água e benefícios econômicos gerados pelo turismo. As afirmações do deputado sobre incêndios parecem basear-se no princípio de que ‘todo proprietário rural é bom por princípio’ e que todos protegem o meio ambiente e utilizam corretamente os recursos naturais. Não sei de onde ele tirou isto. Seria ótimo se fosse verdade, porque não precisaríamos criar unidades de conservação”, ironizou.

O deputado Isauro Calais (MDB) acredita que os produtores rurais seriam os mais afetados com a nova unidade de conservação. Segundo ele, os bônus da criação dos parques vão para o governo, enquanto o ônus fica com os municípios. “O Parque do Ibitipoca, por exemplo, está lá, mas o produtor rural continua tendo que consertar a estrada vicinal que ele usa para vender o seu leite”, afirmou. Dalce ironiza: “será que ele acha que isto é responsabilidade do IEF? Quem mantém estradas vicinais ou deveria fazê-lo são os municípios”.

O Serra Negra protegerá o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica da região do Circuito Serras de Ibitipoca, que abriga espécies raras e ameaçadas de extinção. O IEF destacou ainda que o local é área de recarga hídrica de grande interesse socioeconômico no contexto regional; área prioritária para conservação em escala estadual e nacional; além de grande diversidade paisagística, beleza cênica e potencial turístico.

Para Dalce, a criação dos parques reflete empenho e comprometimento da Semad e IEF e merece elogio e reconhecimento por toda a sociedade. “Temos inúmeras críticas à postura ambiental deste governo. Mas não podemos ignorar a importância desta ação, ainda mais num contexto de ataque das unidades de conservação pelos ruralistas. É hora de bater palmas”, afirmou.

Botumirim

A criação do parque é fruto de grande mobilização de ambientalistas, pesquisadores e moradores. Seus 35.000 hectares compostos por Cerrado, veredas, campos rupestres e de altitude e Mata Atlântica, constituem cenário de rara beleza e abrigam nascentes, cursos d’água e espécies animais e vegetais raras e ameaçadas.