Discurso de Bolsonaro na Cúpula do Clima expõe fragilidade da política ambiental brasileira

Presidente prometeu fortalecer órgãos ambientais e zerar desmatamento, mas aprova menor orçamento para meio ambiente em 21 anos.

A participação de Bolsonaro na Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, expôs, mais uma vez, a fragilidade das políticas ambientais do governo brasileiro. Com promessas vagas e contrárias à atuação de seu governo, Bolsonaro disse que acabará com o desmatamento ilegal até 2030 e alcançará a neutralidade de carbono em 2050.

Fortalecer os órgãos ambientais, 'duplicando' recursos para fiscalização, foi mais uma das promessas de Bolsonaro, que cortou quase R$ 240 milhões que iriam para o Ministério do Meio Ambiente um dia após a cúpula. Em 2021, a pasta ambiental recebeu o menor orçamento em 21 anos.

Desde que Bolsonaro assumiu a presidência, em 2019, os órgãos ambientais federais já perderam 578 servidores ativos, mostrou análise da BBC News Brasil. Enquanto os órgãos são esvaziados, a destruição avança. Em 2020, o número de queimadas registrado no Brasil foi o maior da década, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A derrubada florestal também cresceu na gestão de Bolsonaro. Em março deste ano, o desmatamento aumentou 146% no Cerrado e 12% na Amazônia em comparação ao mesmo período do ano passado. Mesmo assim, o presidente afirma estar comprometido com desmatamento ilegal zero.

"Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data", disse.

O delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, líder da investigação que culminou em “apreensão histórica” de madeira ilegal na Amazônia e autor da notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, motivo pelo qual foi demitido, ironizou na quinta-feira, 22, a fala de Bolsonaro: “vai acabar, até 2030, “por falta de floresta”.

O discurso desalinhado de políticas ambientais efetivas, levam o governo a total descrédito e distanciamento da comunidade internacional. Em dezembro, Bolsonaro disse à ONU que o objetivo do país é zerar as emissões de carbono até 2060. Na Cúpula do Clima, o presidente diminuiu a meta em 10 anos, sem dizer como fará isso.

"Foi um discurso defensivo e não proativo. Se esperava que apresentassem propostas concretas de como zerar os desmatamentos, degradação e queimadas na Amazônia, fator principal que tornou o país um grande vilão ambiental, nacional e globalmente", declarou o cientista Carlos Nobre.

Políticos também reagiram às falácias do governo após o encontro. "Depois de incentivar a destruição da Amazônia, detonar o sistema de fiscalização, negar o aquecimento global e atacar povos indígenas, Bolsonaro mente compulsivamente sobre sua política ambiental na Cúpula do Clima e faz promessas que não vai cumprir”, destacou o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

 

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