Mais de 40% das árvores nativas da Europa estão ameaçadas de extinção

Castanheiro está classificado como "vulnerável" na lista vermelha de árvores ameaçadas na Europa / Crédito: Lisa Soares / Global Imagens

Entre as espécies endêmicas, 58% estão ameaçadas

Um censo das árvores nativas da Europa trouxe dados alarmantes: 42% das espécies estão ameaçadas de extinção. Entre as endêmicas, o cenário é ainda mais preocupante. A lista vermelha foi desenvolvida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e publicada recentemente.

Todas as 454 árvores nativas do continente foram avaliadas pela organização. Em relação às espécies endêmicas, 58% estão ameaçadas e 15% foram classificadas em perigo crítico de extinção. Segundo a IUCN, as cerca de 170 espécies de árvores e arbustos da Europa que pertencem ao gênero Sorbus, dentro da família das rosas, foram particularmente afetadas: três quartos estão ameaçados. A situação do castanheiro-da-índia também foi destacada pela organização. A espécie foi avaliada como vulnerável após declínios significativos em toda a Europa, devido principalmente a uma espécie invasora originária dos Bálcãs, que se espalhou rapidamente pelo continente, bem como a exploração madeireira, incêndios florestais e turismo.

"É alarmante que mais da metade das espécies endêmicas da Europa estejam ameaçadas de extinção. As árvores são essenciais para a vida na terra, e as árvores europeias, em toda a sua diversidade, são fonte de alimento e abrigo para inúmeras espécies de animais, como pássaros e esquilos, e desempenham um papel econômico essencial", disse Craig Hilton-Taylor, chefe da unidade da IUCN encarregada de desenvolver a lista vermelha.

A instituição citou como principais ameaças às árvores a introdução de espécies invasoras, exploração madeireira não sustentável e desenvolvimento urbano. Doenças, desmatamento, criação de animais e mudanças no ecossistema, particularmente relacionadas a incêndios, são outras ameaças às árvores da Europa.

Moluscos

A lista vermelha das árvores faz parte de um projeto maior da IUCN que analisa espécies negligenciadas. Especialistas concluíram que 20 a 50% dos moluscos terrestres, arbustos e briófitas, como o musgo, estão ameaçados de extinção. A destruição de áreas selvagens, agricultura, introdução de espécies exóticas invasoras e mudanças climáticas foram apontadas como principais ameaças a essas espécies.

O estudo da IUCN revela que, entre as 2.469 espécies de moluscos terrestres, mais de um quinto (22%) correm risco de desaparecer. Esses animais desempenham um papel fundamental na regeneração do solo e reciclagem de nutrientes nos ecossistemas naturais, tornando-os excelentes indicadores de saúde do solo. Além disso, são uma importante fonte de alimento para aves, mamíferos e invertebrados.

“As altas ameaças de extinção reveladas são muito alarmantes, uma vez que 92% das espécies de moluscos nativas da Europa são endêmicas no continente. Assim, uma vez perdidas essas espécies na Europa, elas desaparecem para sempre”, disse Eike Neubert, Autor da Lista Vermelha, Grupo Especialista de Moluscos da IUCN SSC. Para restaurar o número de moluscos terrestres na Europa, Neubert ressalta que “serão necessárias mudanças essenciais nas políticas relacionadas ao uso da terra, além de um controle cuidadoso da urbanização e do gerenciamento sustentável de áreas semi-naturais”.

“Este relatório mostrou quão terrível é a situação para muitas espécies subestimadas e negligenciadas, que formam a espinha dorsal dos ecossistemas da Europa e contribuem para um planeta saudável. Precisamos mitigar o impacto humano em nossos ecossistemas e priorizar a proteção dessas espécies”, disse Luc Bas, diretor do Escritório Regional Europeu da IUCN.

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