O potencial medicinal das plantas da Mata Atlântica

Espinheira-santa é usada no tratamento de tumores. Crédito: Acervo Apremavi

Cinquenta espécies do bioma são estudadas por pesquisadores devido a suas propriedades capazes de tratar e curar doenças.

A Mata Atlântica é uma das florestas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta. Além da riqueza da fauna, possui mais de 20 mil espécies de plantas, das quais 8 mil são endêmicas, ou seja, não ocorrem em nenhum outro lugar do mundo. Estudos recentes têm chamado a atenção para o inexplorado potencial medicinal destas espécies, que podem ser a chave para a cura e tratamento de diversas doenças.

Embora tenha sofrido incalculáveis perdas devido à derrubada florestal, restando apenas 12% de sua área original, a Mata Atlântica ainda possui expressiva diversidade biológica. O bioma presta inúmeros serviços ecossistêmicos essenciais e novas espécies são descritas com frequência, sendo uma fonte natural de princípios ativos com grande utilidade científica e medicinal. 

Estima-se que em apenas um hectare de floresta pode haver até 450 espécies de árvores, apontaram estudos recentes. Apesar disso, as propriedades medicinais das plantas da Mata Atlântica ainda são pouco exploradas, assim como há muitas espécies totalmente desconhecidas. Grande parte também sofre risco de extinção.

De acordo com levantamento produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 42,5% das espécies da flora da Mata Atlântica estão em risco. O Brasil está perdendo plantas que podem ser valiosas na produção de alimentos, medicamentos, além de desempenharem papéis cruciais na manutenção dos ecossistemas.

As árvores de grande porte estão entre as espécies mais vistosas que, infelizmente, foram transformadas em móveis ou derrubadas ao longo dos anos devido à expansão urbana. O pau-brasil e a araucária são algumas das árvores que possuem princípios ativos úteis no tratamento e prevenção de doenças, mas correm o risco de desaparecer.

Propriedades medicinais

O Núcleo Paranaense de Pesquisa Científica e Educacional de Plantas Medicinais da Universidade Federal do Paraná (Nupplamed/UFPR), tem investigado as espécies medicinais da Mata Atlântica. Eles criaram uma biblioteca de extratos vegetais, onde possuem amostras para testar e identificar novas formas de uso farmacológico para diversas doenças.

"Não se trata apenas do desenvolvimento de produtos fitoterápicos. Não é só floresta amazônica que é extremamente rica. A Mata Atlântica também é e ainda não conhecemos todas as espécies que ela reúne, quem dirá, as aplicações das espécies que contém”, disse a bióloga, doutora em bioquímica e coordenadora do Nupplamed, Juliana Maurer, ao Observatório de Justiça e Conservação. 

O núcleo selecionou mais de 50 espécies nativas do bioma, de porte arbóreo, que apresentam indicação para o uso medicinal ou alguma utilização econômica. Conheça algumas delas:

Pau-brasil 

O pau-brasil ou Ibirapitanga (Caesalpinia echinata) é a árvore que deu nome ao país, sendo o primeiro item explorado pelos portugueses. Recentemente, teve seu nome científico modificado, tornando-se a primeira e única espécie do gênero Paubrasilia. A planta possui substâncias adstringente e antidiarreica, tendo sua casca utilizada pela medicina popular para minimizar cólicas menstruais. Já o chá da folha, poder auxiliar no controle do diabetes.

Araucária 

A araucária (Araucaria angustifolia) é a árvore que dá origem ao pinhão, conhecido pelos inúmeros benefícios à saúde, atuando até no combate ao envelhecimento. Seu consumo também pode beneficiar a memória e o raciocínio, além ser uma fonte de potássio, o que ajuda na prevenção de problemas cardiovasculares.

Erva-baleeira 

A Erva-baleeira ou maria-milagrosa (Cordia verbenacea), age no organismo como anti-inflamatório e relaxante muscular. É princípio ativo do primeiro fitoterápico (medicamento produzido a partir de vegetais ou plantas) do Brasil, o Acheflan. A planta ainda é utilizada em pomadas, cremes e spray, para o tratamento de dores musculares, inflamações geradas por lesões nos tendões e/ou ligamentos presentes nas articulações.

Pata-de-vaca 

Da família das leguminosas, como ervilha, feijão e soja, a pata-de-vaca ou unha-de-boi (Bauhinia forficata) é uma planta usada para diminuir as taxas de glicose no sangue, o que, consequentemente, também reduz a glicosúria, que é a presença de açúcar na urina. O uso é indicado para pessoas diagnosticadas com diabetes, já que o consumo da planta não retira a quantidade de açúcar no sangue de pessoas saudáveis. O vegetal também auxilia no alívio de dores e infecções.

Espinheira-santa 

A espinheira-santa, canserosa ou cancorosa-de-sete-espinhos (Maytenus ilicifolia) tem eficácia comprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), na redução de problemas estomacais, como acidez no estômago e formação de gases. Suas substâncias têm propriedades antineoplásicas, que servem para o tratamento de vários tumores. 

Atua, também, como antimicrobiana, ou seja, tem a capacidade de reduzir a presença de parasitas, como a Leishmaniose, a segunda doença parasitária que mais mata no mundo, segundo a organização internacional Médicos Sem Fronteiras. Além disso, ela é usada em banhos, na medicina popular, para ajudar acelerar a cicatrização da pele.

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