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Pecuária pode destruir 3 mi de hectares na Amazônia até 2025

Falta de fiscalização pode causar destruição de território maior que o estado de Alagoas.

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Pecuária pode destruir 3 mi de hectares na Amazônia até 2025
Pecuária pode destruir 3 mi de hectares na Amazônia até 2025

A indústria da carne avança sobre a floresta amazônica, gerando prejuízos não só para a biodiversidade, como também para o clima global. Até 2025, a pecuária pode destruir 3 milhões de hectares na Amazônia. A atividade já ocupa 80% das áreas desmatadas no bioma. Sem fiscalização e rastreio de toda a cadeia produtiva, áreas de floresta continuarão dando lugar a pastagens.

Os dados são do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que analisou a exposição das empresas frigoríficas ao risco de desmatamento. O levantamento utilizou três parâmetros: a derrubada florestal, as áreas que foram embargadas e a tendência de destruição futura.

Indústria da carne em crescimento

Os resultados apontam o crescimento da atuação dos frigoríficos. A área utilizada pelas empresas passou de 6,8 milhões de hectares em 2016 para 14,2 milhões em 2022. O aumento foi de 108% em apenas seis anos. Durante o período, a destruição florestal nessas áreas aumentou em 113%, somando 4,6 milhões de hectares.

No entanto, o volume de áreas embargadas foi bem inferior. Em 2022, o Imazon identificou somente 2,3 milhões de hectares embargados nas áreas visadas pelos frigoríficos na Amazônia Legal. Com isso, a estimativa é que a pecuária pode destruir 3 milhões de hectares na Amazônia entre 2023 e 2025, se as taxas médias de derrubada do período 2013-2019 continuarem.

Pecuária sem controle

Para os pesquisadores, a melhor forma de evitar a destruição florestal é pressionar o agronegócio e varejistas, de modo que verifiquem e comprovema legalidade em suas cadeias de produção.

Após pressões externas e boicotes, 35 empresas assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para rever suas práticas. Elas se comprometem a deixar de comprar gado de fazendas sobrepostas a territórios protegidos, áreas desmatadas e com denúncias por trabalhos análogos à escravidão.

Mas, apesar do aumento de 47,34% no número de empresas signatárias, os resultados não são os esperados. O cenário está longe do ideial, visto que não há controle de fornecedores indiretos, e o desafio de garantir a procedência legal do gado persiste.

O rastro de desmatamento continua sendo ocultado, uma vez que as empresas transferem bois de fazendas irregulares para propriedades legais. Como os produtores indiretos não são monitorados pelos grandes frigoríficos, tampouco pelo governo, a carne contaminada é exportada sem que os compradores conheçam sua real procedência.

Um estudo publicado em 2020 apontou que das 4,1 milhões de cabeças enviadas ao abate, ao menos 500 mil são oriundas de propriedades desmatadas ilegalmente. Isso representa 2% da carne produzida na Amazônia, enquanto chega a 13% no Cerrado.

Mercado omisso

Alguns fatores prejudicam o controle da cadeia da carne, como os compradores e investidores majoritariamente tolerantes ao risco de desmatamento.

O mercado financeiro é conivente com o desmatamento ilegal na Amazônia. Bancos fornecem créditos sem critérios de sustentabilidade para pecuaristas, indo contra regras estabelecidas, como a exigência de rastreamento do gado desde o nascimento.

O mercado internacional continua importando desmatamento. A média anual do volume exportado pela Amazônia Legal entre 2020 e 2023 cresceu 169% em relação aos três anos do início do TAC no Pará (2007, 2008 e 2009).

Segundo o relatório, lidera o ranking de empresas mais críticas ao risco de devastação a JBS, com quase 10 milhões de hectares afetados. Logo em seguida aparecem Vale Grande, com cerca de 4 milhões de hectares, Masterboi, Minerva e Mercúrio, todas com mais de 2 milhões afetados.