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Borboleta-guerreira-das-pedras é descoberta no leste de Minas Gerais

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Borboleta-guerreira-das-pedras é descoberta no leste de Minas Gerais
Crédito: Thamara Zacca

No leste de Minas Gerais, pesquisadores realizaram um feito inédito: a descoberta de uma nova espécie e gênero de borboleta, batizada de borboleta-guerreira-das-pedras (Agojie rupicola). O inseto foi encontrado em uma região de campos rupestres na bacia do Rio Doce, no bioma Mata Atlântica.

O primeiro encontro com a borboleta-guerreira-das-pedras foi em 2020. A espécie chamou a atenção de cientistas por ter asas castanho-avermelhadas com menos de três centímetros de uma ponta a outra. O responsável pela coleta do exemplar foi o entomólogo Danilo Cordeiro, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), que integra projeto de estudo dos ecossistemas rochosos da Mata Atlântica.

Thamara Zacca, professora do Departamento de Entomologia do Museu Nacional da UFRJ, recebeu a pequena borboleta coletada por Danilo para análise e explicou o tempo minucioso de estudos desde sua descoberta: “A identificação das espécies, à primeira vista, pode até parecer algo simples, mas requer muito estudo e pesquisas até a definição de um nome.”

O nome dado ao gênero, Agojie, foi uma homenagem às guerreiras Agojie do reino Daomé, na África Ocidental, história que inspirou o filme “Mulher Rei”, estrelado por Viola Davis. Já Rupicula, faz uma referência ao local onde a borboleta foi encontrada: ambientes rochosos da Mata Atlântica, como as Serras do Padre ngelo, do Parado e da Palha Branca, além da Pedra de Santa Rita, todas no Leste mineiro.

Apesar de ter sido descoberta recentemente, a borboleta-guerreira-das-pedras já está ameaçada de extinção, afetada principalmente pelo desmatamento e incêndios florestais, que colocam em risco sua sobrevivência.

Em artigo publicado na revista científica Zootaxa, assinado por Danilo e Thamara, junto com o botânico Paulo Gonella, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), os pesquisadores avaliaram a espécie como “Em Perigo”. Os autores do estudo ressaltaram a prioridade de conservação das serras brasileiras, ainda pouco exploradas cientificamente.