Array
Notícias

Filhotes de arara-azul-de-lear nascem no sertão baiano

Array
Filhotes de arara-azul-de-lear nascem no sertão baiano
Crédito: Thiago Filadelfo/ Divulgação ICMBio

Três filhotes de arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) nasceram na Área de Proteção Ambiental (APA) Boqueirão da Onça, na Bahia. A espécie, que foi considerada funcionalmente extinta por não ter indivíduos suficientes para se reproduzir e manter a população local, voltou a crescer com o apoio de ações de conservação.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) anunciou a chegada dos filhotes, que nasceram em março, mas só em junho foram vistos por um morador local. Os pais das aves vieram da Espanha e foram soltos na região em 2018 pelo Projeto Arara Azul de Lear.

Em 2022, o casal gerou a primeira arara-azul-de-lear após mais duas décadas sem registros no Boqueirão da Onça. Junto da APA, um parque de mesmo nome abriga o maior contínuo preservado de Caatinga na região. A proteção da área é essencial para recuperar as populações da espécie, que quase desapareceu do sertão baiano.

No último censo realizado pelo ICMBio, no ano passado, foram contabilizadas 2.254 araras nas regiões do Raso da Catarina e do Boqueirão da Onça. Em 2019, o número era de 1.469. Em 2001, haviam apenas 228 aves nas duas localidades.

Segundo o ICMBio, nove instituições nacionais e internacionais participam do Programa de Manejo Integrado da Arara-azul-de-lear, coordenado pelo órgão. Atualmente, 117 exemplares são mantidos por estas instituições, que promovem a reprodução da espécie sob cuidados humanos. Posteriormente, os filhotes serão destinados para soltura.

Apesar dos esforços de conservação, a ave continua ameaçada de extinção. A arara-azul-de-lear é uma das espécies da fauna brasileira mais ameaçadas pelo tráfico internacional de animais silvestres.

Em julho, 29 aves foram apreendidas no Suriname. As autoridades acreditam que os animais foram ilegalmente retirados do Brasil para atenderem a criadouros e colecionadores europeus. O governo brasileiro tentou resgatar os animais, mas apenas cinco voltaram ao país.