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Mais de 300 toninhas são mortas no litoral Norte de SP

Mais de 300 toninhas são mortas no litoral Norte de SP
Crédito: Divulgação/Instituto Argonauta

Em cinco anos, o Instituto Argonauta registrou o encalhe e a morte de 323 toninhas (Pontoporia blainvillei) no litoral Norte de São Paulo, entre as praias de São Sebastião e Ubatuba. Apenas 2% dos animais encontrados entre 2017 e 2022 pela organização estavam vivos. O menor golfinho do Brasil, que habita águas costeiras marinhas, pode desparecer do país se os níveis populacionais continuarem em declínio.

“A toninha é o golfinho que mais encontramos encalhados nas praias, e o segundo mais comum de ser avistado quando estamos navegando. Ele reside em águas costeiras da nossa região, e se alimenta principalmente de peixes e crustáceos”, explica a oceanógrafa do Instituto Tami Albuquerque Ballabio.

Somente entre janeiro e março deste ano, atendeu 26 ocorrências de encalhe nas praias de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela. Em todos os casos, as toninhas já estavam mortas. As praias que tiveram o maior número de encalhes entre 2017 e 2022 foram Ubatuba (42,4%), São Sebastião (28,7%), Ilhabela (20,3%) e Caraguatatuba (11,3%).

A bióloga Carla Beatriz Barbosa, coordenadora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) alerta para os impactos ao pequeno cetáceo: “Temos visto um número considerável de ocorrências de toninhas mortas, muitas com uma morte relacionada à captura acidental pela pesca, que é considerada hoje a maior ameaça à essa espécie, seguida pela poluição do ambiente marinho”.

Centenas de toninhas morrem todos os anos, principalmente em mar aberto, presas às redes de pesca de grande e pequenas embarcações. Os animais capturados morrem por afogamento e geralmente são descartadas no mar. Por serem mamíferos que respiram por meio de pulmões, facilmente se afogam quando presos nas redes.

Golfinho mais ameaçado do Atlântico Sul Ocidental

As toninhas estão classificadas como “criticamente em perigo” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Além da captura acidental, a espécie também sofre com a diminuição da qualidade do habitat, principalmente por poluição. Dados recentes indicam que o declínio populacional do cetáceo deve ser maior do que 80% ao longo de três gerações ou 36 anos.