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Conheça o ruralista eleito para a presidência da Comissão de Meio Ambiente da Câmara 

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Conheça o ruralista eleito para a presidência da Comissão de Meio Ambiente da Câmara 
Priante foi foi alvo de investigação por envolvimento em esquema de corrupção. /Crédito: MDB Nacional

A disputa para assumir a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara terminou com um defensor do agronegócio e do garimpo na presidência. Conhecido por atuar contra pautas socioambientais, o deputado José Priante (MDB-PA) foi o escolhido para comandar a comissão.

Presidida por deputados bolsonaristas nos últimos anos, que levaram à aprovação de graves retrocessos ambientais, mais uma vez a CMADS foi parar nas mãos de quem não defende o meio ambiente. O cargo, que estava em disputa há algumas semanas, poderia ter sido ocupado até pelo ex-ministro da “boiada”, Ricardo Salles (PL-SP).

Análise do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) aponta que a composição do Congresso será o maior desafio para a agenda climática e socioambiental nos próximos anos, já que a maioria das cadeiras é ocupada por partidos que tradicionalmente votam contra o meio ambiente.

Envolvimento com o garimpo

Deputado desde 1995, Priante já integrou frentes em apoio ao agro e ao carvão mineral, atividades historicamente conflitantes com a agenda ambiental. O parlamentar também é um defensor declarado do garimpo. Em 2022, votou a favor do regime de urgência do PL 191/2020, que libera mineração em terras indígenas. A votação aconteceu enquanto milhares de pessoas protestavam, em frente ao Congresso, contra o desmonte da legislação ambiental.

Segundo reportagem do Estadão, o parlamentar recebeu, de mineradoras, quase meio milhão de reais nas eleições de 2014. O peemedebista ainda foi alvo de investigação por envolvimento em esquema de corrupção no antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do Pará, atual Agência Nacional de Mineração (ANM).

Autor de projeto que visa dificultar a destruição de equipamentos apreendidos, o deputado criticou operação da Polícia Federal contra o garimpo na Terra Indígena Munduruku, no começo do ano passado, que terminou com a demolição de máquinas utilizadas por garimpeiros.

“Não estou defendendo o garimpo ilegal, a irregularidade, mas afirmo que garimpeiro não é bandido. É desinteligente [sic] destruir o equipamento. Não tem ambientalista que justifique isso. É um desperdício destruir ativos”, afirmou Priante.

Prevista por lei, a prática serve para impedir a continuidade do crime ambiental quando as autoridades não conseguem transportar equipamentos como tratores, balsas e dragas.