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Garimpo explode na Terra Indígena Yanomami durante governo Bolsonaro

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Garimpo explode na Terra Indígena Yanomami durante governo Bolsonaro
Garimpo na Terra Indígena Yanomami. Crédito: Bruno Kelly/Amazônia Real

O descaso do governo frente ao avanço do garimpo ilegal sobre a Terra Indígena Yanomami (TIY) veio a público nos últimos dias, revelando a crise humanitária no território. Monitoramento da Hutukara Associação Yanomami (HAY) mostrou que a atividade cresceu 54% só em 2022, devastando mais de 1,7 mil hectares na TIY. Enquanto os garimpeiros lucram, os indígenas sofrem com a fome, o aumento da violência e a proliferação de doenças.

O passivo ambiental deixado é imensurável. O levantamento da HAY, feito a partir de imagens de satélite, aponta crescimento acumulado de 309% do desmatamento associado ao garimpo entre outubro de 2018 e dezembro de 2022. Em 2021, a destruição causada pela atividade atingiu mais de mil hectares, um crescimento de 46% em relação a 2020.

A devastação concentra-se nos rios Mucajaí e Uraricoera, nas regiões Central e Norte do território, respectivamente. No relatório “Yanomami sob ataque: garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo”, publicado no ano passado, a Hutukara já havia denunciado as sequelas do garimpo sobre o território.

Segundo o levantamento, os casos de malária no polo Palimiu, no rio Uraricoera, que não excediam duas centenas desde 2012, passaram para mais de 1,8 mil em 2020. Na região também cresceu a violência. São frequentes os relatos de garimpeiros bêbados invadindo casas, assediando mulheres e ameaçando indígenas. Na região do rio Apiaú, moradores revelaram à Hutukara vários casos de estupro e assédio.

Fatores como o desemprego e o aumento do preço do ouro no mercado internacional, aliados ao desmonte das políticas ambientais, o enfraquecimento da fiscalização e às falhas regulatórias na cadeia do ouro, são responsáveis pela explosão do garimpo na TYA. Segundo o líder Yanomami Davi Kopenawa, entre 20 e 30 mil garimpeiros invadiram a Terra Indígena durante o governo Bolsonaro.

Em entrevista ao portal Amazônia Real, Kopenawa afirmou que foi o ex-presidente quem matou seus irmãos e sua família. “Nos quatro anos que ele ficou junto com os garimpeiros levou a doença, coronavírus, malária, gripe, disenteria, verminose e outras doenças. Foi ele que matou. Ele matou e foi embora”, disse.