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Após três anos da tragédia de Brumadinho, medidas de compensação ambiental são desconhecidas

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Após três anos da tragédia de Brumadinho, medidas de compensação ambiental são desconhecidas
Rompimento da barragem da Vale em Brumadinho

Press release

Belo Horizonte, 25 de janeiro de 2022 – Quase 300 hectares de Mata Atlântica foram destruídos pela lama que escorreu da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. O número e as espécies de animais silvestres que morreram nunca serão conhecidos, mas o impacto sobre as populações que sobreviveram foi muito grave.

A destruição da floresta reduziu a quantidade de alimentos, principalmente para aves, que têm papel fundamental na dispersão de sementes, o que consequentemente atrasa a recuperação natural da vegetação. Pressupõe-se que animais pequenos, que não tiveram qualquer oportunidade de fuga, morreram aos milhares. Eles são alimentos de espécies maiores, como felinos, que mesmo tendo escapado da lama, sofreram impacto indireto pela redução de suas presas, reduzindo ou dificultando sua capacidade de reprodução.

A Amda enviou proposta à Semad/IEF, de criação e implantação pela Vale, de corredores ecológicos conectando o Parque Estadual da Serra do Rola Moça a outros ambientes naturais, como a Fazenda Jangada e a Área de Proteção Especial (APE) da barragem de Rio Manso, situada no município do mesmo nome e em Brumadinho.

Propôs também, junto com as duas prefeituras, que a APE seja transformada em unidade de proteção integral e estruturada para visitação pública, com custos bancados pela Vale. A transformação em UC geraria ICMS ecológico para os municípios, permitiria uso turístico, e geraria empregos, envolvendo a população em sua proteção.

Mas, após três anos da tragédia, a sociedade desconhece medidas de compensação ambiental pelos impactos causados à fauna, flora e água. O acordo judicial assinado entre Vale, governo e MP tem forte caráter político/eleitoreiro, alocando recursos para obras em locais que não viram uma gota de lama.

A empresa não pode definir medidas de compensação ambiental. Isto depende da Semad, mas até o momento desconhecemos o que pensam seus gestores a respeito da proposta de corredores ecológicos que preservaria mais de 20.000 ha de Mata Atlântica, tornando-se a maior unidade de conservação da RMBH.