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Austrália luta para proteger Grande Barreira de Corais

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Austrália luta para proteger Grande Barreira de Corais
Corais sofrem com o branqueamento

A Grande Barreira de Corais da Austrália, considerada Patrimônio Mundial da Unesco, é a maior e uma das mais ameaçadas formações de recifes do mundo. Devido ao aumento da temperatura do mar, os corais sofrem com o branqueamento, processo que tira sua cor e vida. Com intuito de reverter esse cenário, o governo australiano se comprometeu a investir mais de 500 milhões de dólares australianos (cerca de R$1,3 bilhão) em sua restauração e proteção.

O anúncio aconteceu no final do mês passado e, segundo o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, o dinheiro será aplicado em melhorias na qualidade da água, combate aos predadores e trabalhos de restauração.

Vulnerabilidade

Há quatros meses, cientistas alertaram que o branqueamento dos corais é cinco vezes mais intenso do que há 40 anos. O processo, que tem devastado os recifes, ocorre quando as algas que lhe dão cor e nutrientes não suportam as temperaturas mais altas e vão embora. Sem sua presença, o coral se torna frágil e suscetível a doenças que podem levá-lo à morte.

Os últimos grandes processos de branqueamento, ocorridos em 2016 e 2017, foram também considerados os mais graves. Observações aéreas e submarinas mostraram que 22% dos corais foram destruídos em 2016 e 29% no ano passado. Os recifes podem se recuperar se a água voltar a resfriar, mas podem morrer se o fenômeno persistir.

Centenas de quilômetros no norte da Grande Barreira, local de águas cristalinas, já foram classificados como mortos devido à grande elevação de temperatura em 2016. Em 2015, o local de 345.000 quilômetros quadrados escapou, por pouco, de entrar na lista do Patrimônio Mundial em Perigo da Unesco.

Além do branqueamento, o conjunto de recifes sofre com a proliferação das coroas-de-espinhos (Acanthaster planci), devoradoras de corais, a atividade agrícola e a dragagem.

Os animais que habitam as porções próximas aos corais também sofrem com os efeitos do aquecimento global. Em fevereiro deste ano, cientistas publicaram um estudo na revista Current Biology indicando que a alta nos termômetros está reduzindo a população de machos das tartarugas-verdes (Chelonia mydas). A espécie tem o sexo determinado pela temperatura da água no período de incubação, sendo que fêmeas têm mais chance em águas quentes.