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China impulsiona mortes de onça-pintada na Bolívia

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China impulsiona mortes de onça-pintada na Bolívia
Crédito: André Dib

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. Majestosa, está no topo da cadeia alimentar, mas isso não impede que seja caçada. Nos últimos anos, o tráfico de presas do felino eclodiu na Bolívia devido à forte demanda do mercado chinês. No país asiático, as presas – sinônimo de status social – são utilizadas como afrodisíaco e acessório para joias.

A hipótese é que o auge desse comércio esteja ligado ao crescente trânsito de chineses no país. Nos últimos anos, o governo de Evo Morales concedeu obras públicas milionárias para empresas chinesas, atraindo diversos investidores. Em 2011, entraram cerca de 3 mil chineses na Bolívia; em 2016 o montante subiu para quase 13 mil.

Segundo Rodrigo Herrera, assessor da Direção de Biodiversidade de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente e Água da Bolívia, cada presa pode ser comprada por 500 a 700 bolivianos (cerca de US$ 70 a US$ 100). Na China, o suvenir pode chegar a US$ 5.000. Outras partes do corpo também são cobiçadas, como o crânio, a pele e até o pênis dos felinos.

A população menos favorecida se aproveita do negócio, que proporciona um excelente custo beneficio. Crânios de onça-pintada podem ser vendidos por até US$ 10.000, enquanto o salário mínimo boliviano gira em torno de US$ 300. Em menos de quatro anos foram interceptados cerca de 400 dentes, muitos apreendidos enquanto eram enviados para a China pelo correio.

Neste período, a justiça boliviana abriu 15 processos legais, sendo 11 contra cidadãos chineses residentes no país. A maioria trabalhava no segmento alimentício. Diante da calamidade, a embaixada da China exigiu que os cidadãos chineses que moram na Bolívia respeitem as leis contra o tráfico ilegal de animais selvagens.

Vulnerabilidade

O tráfico de presas não é a única ameaça que os animais sofrem no país latino. Estima-se que existe uma população de 7 mil onças-pintadas em situação de vulnerabilidade na Bolívia. O livro de fauna silvestre do país indica que a espécie também sofre com a destruição de seu habitat devido à expansão da agropecuária.

A Panthera onca originalmente era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Atualmente, está extinta nos EUA e rara no México. No Brasil, suas populações sofreram grandes perdas nas regiões nordeste, sudeste e sul. Ela é classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como espécie vulnerável de extinção.