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Peixes-leão ameaçam ecossistema marinho do Chipre

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Peixes-leão ameaçam ecossistema marinho do Chipre
Os peixes-leão se destacam por suas barbatanas em forma de leque Crédito: California Academy of Sciences

A introdução de espécies exóticas é a segunda maior causa de perda de biodiversidade em um ecossistema. Devido à ausência de predadores e barreiras naturais, esses animais se proliferam com facilidade e passam a competir com plantas e animais nativos. Cientes dos riscos, pesquisadores e biólogos alertam para a multiplicação dos intrusos peixes-leão (Pterois miles) na ilha do Chipre.

Originário do Oceano Índico, o peixe apareceu no arquipélago em 2012 após colonizar o Caribe. O animal também foi encontrado em outros países banhados pelo mar Mediterrâneo, como Grécia, Turquia e Tunísia.

No Chipre, a hipótese para a aparição é o aquecimento das águas. O canal de Suez – elo entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho – foi ampliado em 2015, aumentando o contato das águas quentes do Vermelho com o Mediterrâneo e facilitado a entrada de novas espécies. Apesar do alarde, nem todas as porções do Chipre estão “contaminadas”. Nas costas ocidentais, mais frescas, ainda não foi identificado um surto da espécie.

Os cientistas pretendem analisar o estômago dos peixes-leão para identificar quais são suas presas, a fim de evitar a destruição da fauna local. Os otólitos, minúsculas formações sólidas nas orelhas dos animais, também serão examinados para descobrir sua origem e idade. Apesar de venenoso, a mordida do bicho não é fatal.

Uma estratégia adotada pelos europeus é fazer com que a espécie seja amplamente consumida pela população. Se preparada corretamente, retirando as espinhas venenosas, a carne do peixe não apresenta riscos.

Histórico

Os peixes-leão já possuem fama de ‘pragas’ devido à sua introdução em outras localidades. Na década de 80, ele causou “danos significativos nas costas dos Estados Unidos e do Caribe”, segundo o biólogo marinho Carlos Jiménez. Eles se alastram com facilidade por suas habilidades especiais, como veneno e espinhos, desconhecidas pelas espécies nativas. Não se sabe ao certo o que pode ter causado a multiplicação do animal em águas caribenhas, mas acredita-se que criadores começaram a soltar exemplares da espécie no mar.

A preocupação é que o caso do Caribe se repita no Mediterrâneo, lar de 17 mil espécies. “Estamos preocupados porque são muito vorazes. Podem representar uma pressão a mais em nossos ecossistemas que já estão bastante perturbados pela grande exploração dos recursos marinhos, a poluição e o turismo”, explicou Jimenez.

No Brasil já foram registradas aparições da espécie nos últimos anos, mas em nenhum caso foram encontradas grandes populações. O peixe-leão mede cerca de 20 centímetros de comprimento e tem como habitat os recifes.


Com informações da AFP