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Trump desiste de liberar entrada de troféus de caça de elefantes nos EUA

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Trump desiste de liberar entrada de troféus de caça de elefantes nos EUA
Irmãos Trump em safári na África / Crédito: reprodução

Após derrubar a proibição para importar troféus de caça nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump recuou e suspendeu a decisão menos de 48 horas depois do anúncio. O anúncio original que concedia a autorização foi divulgado no último dia 16 e partiu da US Fish and Wildlife Service (USFWS), uma das agências do governo americano.

No dia 17, Trump usou sua conta no Twitter para informar a suspensão, alegando que precisaria de mais tempo para “revisar todos os fatos de conservação que estão em estudo há anos”. A liberação seria para artigos provenientes de Zâmbia e Zimbábue.

De acordo com a organização Great Elephant Census, a população de elefantes diminuiu 30% entre 2007 e 2014 na África, e especificamente no Zimbábue caiu 6%. Os animais estão na lista de espécies ameaçadas desde 1978. A decisão do ex-presidente Barack Obama, de 2014, que proibia a importação dos artefatos de caça, visava, essencialmente, combater esse tráfico ilícito.

A possível autorização para entrada de cabeças, presas de marfim e outras partes de elefantes em território americano sofreu duras críticas de ambientalistas e integrantes do próprio governo Trump. Para o deputado republicano Ed Royce, “os elefantes e outros grandes animais da África são uma ‘moeda de sangue’ para as organizações terroristas e estão sendo mortos num ritmo alarmante”.

Para a ativista e ex-atriz francesa Brigitte Bardot, Trump “não está apto para governar”. “Nenhum déspota no mundo pode atribuir a si a responsabilidade de matar espécies antigas e que fazem parte da herança mundial da humanidade”, enfatizou. “O elefante é um animal único, mágico, sagrado, venerado e protegido”, escreveu Bardot, que denunciou uma “lei assassina”.

Os únicos defensores da liberação proposta por Trump são da Associação Nacional do Rifle da América (RNA). A organização defende a proteção da Segunda Emenda da Constituição dos EUA que trata do porte de armas. Em abril deste ano, o presidente afirmou que a instituição tem um amigo na Casa Branca e ele nunca irá desapontá-los. Dentre os interesses da associação está a prática da caça, atividade na qual está em comunhão com o comércio de armas.

Antes de Trump voltar atrás, uma petição online foi criada na plataforma virtual Avaaz para impedir que a importação dos troféus fosse permitida. Mesmo após desistência do presidente, indivíduos de todo o mundo continuam assinando o documento em sinal de protesto. Já foram contabilizadas mais de 1,8 milhão de assinaturas.

Família

A polêmica fez com que a mídia relembrasse fotos dos filhos de Trump em um safári na África em 2012. Donald Jr. e Eric são conhecidos por serem amantes de caça esportiva.

Os irmãos aparecem segurando um leopardo morto e, em outra imagem, Donald Jr. está segurando um rabo de elefante. Eles ainda posaram ao lado de um búfalo abatido e um crocodilo morto pendurado em uma árvore. Na época, Donald publicou em sua conta no Twitter que não tem vergonha de ser um caçador e por isso não se desculparia por nada.

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