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Parque Rola Moça em chamas pela segunda vez nesta semana

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Parque Rola Moça em chamas pela segunda vez nesta semana
Crédito: Corpo de Bombeiros/divulgação

Press Release

Belo Horizonte, 25 de agosto de 2017 – Pela segunda vez na mesma semana, o Parque Estadual da Serra do Rola Moça ardeu em chamas nesta quinta-feira (24). De origem criminosa, a estimativa é de que o incêndio destruiu cerca de seis hectares da unidade de conservação. O Rola Moça é o terceiro maior parque em área urbana do país, abriga mananciais que abastecem a capital mineira e protege espécies ameaçadas e endêmicas da fauna e flora, além de ser marcado por paisagens belas e diversificadas. Testemunhas afirmam que avistaram uma mulher ateando fogo no limite do bairro Jardim Canadá com uma área natural de propriedade da mineradora Vale, contígua ao parque. O local é utilizado como depósito irregular de lixo e a queima de resíduos é frequente.

O combate foi marcado por dificuldades. O fogo atingiu uma área de encosta extremamente íngreme, ocupada por canelas-de-ema, planta típica da região que possui um tipo de resina que dificulta ainda mais o trabalho dos brigadistas. “Nem cabrito consegue subir onde os brigadistas foram para apagar o incêndio. É ato de heroísmo mesmo. Se o fogo adentrasse a noite, o combate seria impossível em função da segurança e ele se espalharia feito rastilho, com grande chance de se tornar incontrolável”, comenta Dalce Ricas, superintendente da Amda, que atuou voluntariamente como brigadista ontem.

Para ela é preciso urgente que o IEF, instituição responsável pela gestão do parque, adote medidas preventivas mais rigorosas em relação às queimadas. “A origem de 95% dos incêndios que acontecem no parque se iniciam nos limites dele com áreas urbanas, nos bairros Jardim Canadá, em Nova Lima, em bairros de Belo Horizonte e no município de Ibirité, cuja expansão urbana ameaça cada vez mais a integridade do Rola Moça. Mas, ancorado no questionável princípio de autonomia dos municípios, o Estado lava as mãos para o assunto. Grande parte da zona de amortecimento do parque, que por lei restringe atividades de parcelamento do solo, continua sendo ocupada por empreendimentos imobiliários”, diz.

Para ela, o rigor no licenciamento de empreendimentos econômicos e de expansão urbana na zona de amortecimento deveria ser prática da Semad/Copam, bem como construção de aceiros mais largos nas áreas que limitam com construções humanas e educação ambiental.

Dalce e outros brigadistas voluntários se juntaram à duas equipes de brigadas profissionais da Amda, IEF, PrevIncêndio, Copasa, Instituto Casa Branca (ICB), Brigada 1 e do condomínio Retiro das Pedras. O combate contou ainda com apoio de dois caminhões pipa enviados pelas empresas Vale e Vallourec, um helicóptero para auxiliar o transporte dos brigadistas e dois aviões de lançamento de água.

“Foi uma ação bastante integrada, comandada pelo Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros (Bemad) e participação da sociedade civil”, disse Francisco Mourão, que também atuou no combate voluntariamente.