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Parque Estadual do Itacolomi é alvo de vandalismo

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Parque Estadual do Itacolomi é alvo de vandalismo
Pichação no Parque Estadual do Itacolomi / Crédito: Paulo Filgueiras/ EM/DA Press

Mais uma unidade de conservação de Minas Gerais é alvo de vandalismo e insegurança. O Parque Estadual do Itacolomi, situado entre os municípios de Mariana e Ouro Preto, tem uma entrada oficial, mas outros três acessos clandestinos propiciam a formação de bota-foras, ingresso de usuários de drogas, marginais que ameaçam a segurança dos frequentadores, pichadores e degradadores do espaço natural de Cerrado e campos rupestres. Além disso, proprietários de gado e cavalos introduzem seus animais na unidade para pastar, trazendo infestações de carrapatos e destruindo aos poucos o solo e a vegetação.

Em reportagem publicada no último domingo (23), o jornal Estado de Minas revelou um cenário de destruição. Entrando por um dos acessos clandestinos, a equipe encontrou resíduos caseiros e comerciais, carcaças de animais mortos como cavalos, bois e cães. A presença de preservativos e artefatos para consumo de entorpecentes caracteriza ainda mais a atmosfera marginal que o local adquiriu. Pessoas entram na unidade até mesmo na segunda-feira, quando ela deveria estar fechada à visitação para limpeza e conservação.

Seguindo no trecho que leva ao pico do Itacolomi, um dos principais atrativos da UC, o jornal relata a incidência de pichações, algumas inclusive com referências religiosas. Nesse trajeto, a caminhada transcorre chutando embalagens plásticas, garrafas de água mineral amassadas e sacolinhas. Por todo o solo também há estrume de cavalos e gado, evidenciando a introdução desses animais domésticos no parque.

Mais adiante, próximo a córregos e quedas d’água, ficam dois dos locais mais utilizados para acampamento. No caminho, peças de roupas, pedaços de papel higiênico, latas de alimentos em conserva e outros detritos. Rastros de fogueiras e até uma grelha de metal demonstram que muita gente prepara alimentos e se aquece enquanto acampa nesse espaço. Ainda é preciso cuidado nessa região devido aos milhares de cacos de vidros afiados que se escondem nas moitas.

Um segundo e mais popular espaço para acampamento está ainda mais degradado, segundo o jornal. São inúmeras garrafas de aguardente, vinho barato e outros tipos de bebidas atirados por todos os lados, cobertores dependurados em galhos de árvores, latas enferrujando entre as fissuras de pedras e muitas embalagens de biscoitos e salgadinhos formando um cenário de abandono. Até no próprio pico ainda encontram-se inúmeras formações de fogueiras e grelhas deixadas para trás pelos campistas. Ao longo das trilhas de terra e areia branca, o lixo vai sendo visto de ponto a ponto, uma constante lembrança da falta de educação de alguns dos frequentadores e também da ausência de vigilância.

A situação denunciada pelo jornal, comum nas unidades de conservação limítrofes a áreas urbanas, reflete, de um lado, a falta de educação da população e, do outro, o descaso do poder público com a proteção das mesmas. “O lixo despejado no parque mostra o descaso também da prefeitura de Ouro Preto, que por sinal recebe recurso de ICMs ecológico pelo mesmo, e a insuficiência de sua estrutura como cercamento e fiscalização”, comenta Dalce Ricas, superintendente da Amda.

Ela lembra que um dos grandes incêndios que dizimou boa parte do parque anos atrás iniciou-se num desses locais, quando uma moradora resolveu botar fogo em roupas que jogou fora. “As sucessivas administrações municipais não se preocupam em impedir o crescimento da área urbana em direção ao parque e, consequentemente, o aumento dos riscos de invasões, incêndios, violência e lixo. E IEF/Semad também lavam as mãos. Paralisar o processo e desenvolver atividades socioeducativas visando mostrar às comunidades que já se instalaram porque o parque é importante e levar algum benefício a elas, são medidas que deveriam ser imediatamente adotadas pelo município e pelo estado”, afirma.

No que se refere ao turismo predatório denunciado pela reportagem, são medidas urgentes a implantação de portarias nos locais de acesso, com presença constante de policiais; aumento do número de funcionários do parque, devidamente qualificados; cercamento e apreensão de animais soltos na UC, pois seus donos, provavelmente já conhecidos e identificados pela gerência do parque, cortam a cerca. “Quanto mais animais forem soltos e permanecerem dentro do parque, e quanto mais o estado ignorar a situação, maiores serão os riscos de incêndios ateados pelos donos para forçar rebrota do capim do campo, pois os animais só comem os brotos”, comenta Dalce.

“O desinteresse pelo parque é incompreensível, pois se bem estruturado e gerido, pode tornar-se fonte geradora de renda para o município pelo fortalecimento do turismo. Mas se a situação denunciada pelo EM continuar, o futuro de suas florestas, animais e da água que protege estará cada vez mais em risco, refletindo o descaso da sociedade e dos poderes públicos com a proteção dos poucos ambientes naturais que restaram em Minas. Se o recurso arrecadado pela Semad com multas e licenciamento fosse revertido para pelo menos proteger os 1,9% de unidades de conservação de proteção integral existentes no estado e não desviados pelo governo para outras áreas, a situação seria diferente”, conclui.