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Novo método de cremação verde ganha adeptos ao redor do mundo

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Um novo método de cremação verde está ganhando adeptos ao redor do mundo. O processo, chamado hidrólise alcalina, tem a água como principal ator e exerce menor impacto ambiental que processos tradicionais.

Quando somos enterrados, usamos os recursos do planeta uma última vez: a madeira do caixão, o algodão do forro, a pedra da lápide, além de outros recursos. A cremação também tem impacto ambiental: o equivalente a 320 kg de CO2 é gerado. A menos que medidas especiais sejam tomadas, substâncias tóxicas são liberadas, como o mercúrio do preenchimento dental. Além disso, para queimar um corpo, o equipamento crematório produz calor suficiente para aquecer uma casa durante uma semana no inverno congelante do Minnesota. O estado foi escolhido para implantação da Bradshaw Celebration of Life Center, um dos 14 estabelecimentos do mundo a oferecer a opção “verde”.

Todo o processo acontece em um equipamento de hidrólise alcalina – 1,8 m de altura, 1,2 m de largura e 3 m de profundidade. A máquina pesa cada corpo e calcula a quantidade de água e hidróxido de potássio que deve adicionar. A solução alcalina, com um pH de 14, é aquecida a 150°C, mas como é pressurizada, não chega a ferver.

“A hidrólise alcalina é o processo natural pelo qual o corpo passa quando é enterrado. Aqui recriamos as condições ideais para isso acontecer muito, muito mais rápido”, diz Jason Bradshaw, diretor da funerária. Em um cemitério, o processo leva décadas. No equipamento, são 90 minutos – embora o processo subsequente de enxaguamento leve mais tempo.

Depois de três a quatro horas, restam apenas ossos molhados espalhados numa bandeja de metal. Num compartimento longe da vista, são depositados os restos líquidos dos tecidos dissolvidos. Bradshaw seca os ossos numa secadora de roupa doméstica. “Funciona melhor”, segundo ele. Os ossos são então colocados numa máquina usada na cremação regular. A diferença é que o pó resultante é mais fino e mais claro, parecido com o da farinha, e produz 30% a mais em quantidade.

Até agora, o digestor de tecido de Bradshaw processou mais de 1,1 mil corpos, quase um por dia.

Para a pesquisadora Elisabeth Keijzer, que coordena dois estudos para a Organização Holandesa para Pesquisa Aplicada, o processo é muito melhor. Ela analisa 18 parâmetros ambientais, como destruição do ozônio, mudanças climáticas e toxicidade marinha, e conclui que a hidrólise alcalina é melhor em 17 deles comparada às outras técnicas. Além disso, emite sete vezes menos CO2 que a cremação. Mesmo que seu trabalho não chegue a considerar o método uma “cremação verde”, conclui que é ambientalmente mais correto do que o enterro e a cremação tradicional.