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No dia da água, todo mundo quer recuperar nascentes, mas depois dele a destruição continua

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No dia da água, todo mundo quer recuperar nascentes, mas depois dele a destruição continua
Incêndio destroi vegetação no Parque Estadual Serra do Rola Moça / Crédito: arquivo Amda

Press Release

Belo Horizonte, 21 de março de 2017 – No dia 22 de março, dia mundial da água, a Amda plantará árvores numa nascente degradada pelos incêndios ateados por humanos, dentro do Parque Estadual Serra do Rola Moça, e convidará os participantes a visitarem as nascentes dos córregos Arrudas e Barreiro. Os cursos d’água são responsáveis pelo abastecimento do manancial da Copasa, em Ibirité. O objetivo principal do plantio é lembrar à sociedade, empresas e ao poder público, a relação intrínseca entre cobertura vegetal nativa e geração de água, e a necessidade de que sua proteção torne-se política de governo, pois intervenções pontuais e temporárias não garantirão este valioso recurso natural para o futuro.

O evento contará com a presença do Secretário de Meio Ambiente, Jairo José Isaac, alunos da Escola Estadual Padre Xisto, do bairro Jardim Canadá, professores, representantes de empresas, brigadistas, ONGs e será aberto a quem se interessar. As mudas que serão plantadas são de espécies que ocorrem no parque e durante no mínimo três anos serão monitoradas e acompanhadas pela Amda para que cresçam e recomponham a floresta que existia no local. Além da proteção das nascentes, as matas de galeria que ocorrem no parque são fundamentais como abrigo e alimentação da fauna que nele habita.

Neste dia haverá outros plantios de árvores, como o da Copasa, em Nova Lima. Sem dúvida, todos trarão benefícios ambientais se as mudas forem cuidadas, pois colocá-las na terra é fácil. Mas para que sobrevivam e cresçam é preciso que sejam protegidas contra formigas, fogo, pisoteio de gado e outros riscos. O dia da água é também uma boa oportunidade para demagogia, principalmente por parte do poder público. Copasa e Cemig, por exemplo, nunca tiveram e não têm políticas e ações efetivas de proteção das bacias das quais dependem para captar água e gerar energia. No Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), grande número de empreendimentos foi licenciado com seu voto. Muitos, incompatíveis com a proteção da água. Outros, ambientalmente viáveis, mas sem determinação de medidas para protegê-la.

A Copasa é proprietária da Copanor, que atua na região do Vale do Jequitinhonha. Incêndios, garimpos, erosões, pisoteio de gado, esgotos, desmatamento e agricultura inadequada estão arrasando as nascentes da bacia do rio Jequitinhonha, que também abastece as barragens de Itapebi e Irapé, pertencentes à Cemig. Jequitinhonha em tupi guarani significa – melhor dizer significava – “rio largo e cheio de peixes”.

Marília Melo, subsecretária de fiscalização da Semad, em sua tese de doutorado recentemente defendida, alerta para duas realidades que não poderiam ser esquecidas. O número de outorgas concedidas na bacia do rio das Velhas RMBH, onde se concentram empreendimentos como condomínios, minerações e empresas como a Coca Cola, altamente demandadores de água, é muito maior do que sua disponibilidade; e que o reabastecimento dos lençóis freáticos e nascentes está cada vez mais prejudicado pela diminuição das chuvas que, nos últimos quatro anos, ficaram abaixo da média histórica, indicando que esta situação permanecerá. A perfuração de poços artesianos nessa região e em todo o Estado cresce a cada dia, como solução para a escassez de água superficial, sem controle por parte do Estado e, pior, sem estudos que atestem sua viabilidade ambiental.

Para encerrar as ações em alusão ao dia da água, a Amda lançará, no dia 29, documento sobre o ICMS ecológico, mostrando que um dos principais objetivos do mesmo – aumentar a proteção da água através da criação de áreas legalmente protegidas – após 17 anos não foi atingido. Em Minas criou-se uma “indústria de APAs” pelos municípios para receberam os recursos.