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Garimpo no rio Xingu produzirá mais rejeitos que mineração em Mariana

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Garimpo no rio Xingu produzirá mais rejeitos que mineração em Mariana
Maior hidrelétrica do país

A já castigada região onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, é alvo de mais um polêmico projeto. Desta vez, o objetivo é mineração de ouro pela empresa canadense Belo Sun. O volume de rejeitos produzidos será superior aos 32 milhões de metros cúbicos que vazaram da barragem de Fundão, em Mariana, provocando a maior catástrofe ambiental do país.

O projeto da Belo Sun, previsto para extrair ouro a uma distância entre 10 e 15 quilômetros da barragem que forma o lago da hidrelétrica, prevê o acúmulo de até 35,43 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O empreendimento, que em seus estudos ambientais classifica como de “alto risco” a possibilidade de “rompimento da barragem de rejeitos”, vai guardar nas margens do Xingu pilhas de estéreis químicos bem mais agressivos que aqueles retirados da mineração de ferro.

A mineração de ouro, que atualmente está suspensa por liminar judicial devido a problemas fundiários na área, será feita com uso de dinamites e abertura de “cavas”. Por causa da proximidade com a barragem, a concessionária Norte Energia, dona de Belo Monte, afirmou em 2015 que havia necessidade de avaliar “potenciais aspectos sinérgicos” que poderiam surgir da operação conjunta da usina e da mineração.

Entre os itens destacados pela empresa, conforme nota técnica do Ibama de julho de 2015, estava a necessidade de avaliar o “potencial de sobrecarga socioambiental” na região e, principalmente, a “sismicidade, devido ao uso de explosivos durante o tempo de exploração da mina”.

No início deste ano, o Ministério Público Federal (MPF) no Pará enviou questionamentos ao Ibama para saber se o órgão tem acompanhado esses estudos. Em 31 de janeiro, o Ibama respondeu. “Até o presente momento o Ibama não participou nem foi instado a participar de reunião técnica com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará para discutir os impactos cumulativos ou sinérgicos entre a hidrelétrica de Belo Monte e o projeto de mineração Belo Sun”, afirmou o diretor substituto da diretoria de licenciamento do órgão, Jonatas Souza da Trindade, em nota.

Apesar de toda a pressão que o projeto da Belo Sun trará sobre uma região já impactada pelas obras da maior hidrelétrica do país, o licenciamento ambiental da mineração é responsabilidade do governo paraense.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo