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Mesmo com salários atrasados, guarda-parques não abandonam Parque do Rio Preto

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Mesmo com salários atrasados, guarda-parques não abandonam Parque do Rio Preto
Brigadistas combatem incêndio no Parque Estadual do Rio Preto / Crédito: divulgação Parque Estadual do Rio Preto

Embora não recebam salários há três meses, os guarda-parques do Parque Estadual do Rio Preto não abandonam sua unidade de conservação. Com um calor de quase 40°C, os funcionários debelaram no início deste mês um incêndio que destruiu 185 hectares (ha).

No último dia 3, a equipe foi surpreendida pelo incêndio florestal. As chamas foram debeladas somente às 18h do dia seguinte, com a operação de rescaldo se estendendo até 15h30 do dia 5. Participaram do combate 20 brigadistas e sete policiais de apoio a aeronave.

Apesar do apoio do helicóptero, o fogo consumiu 185 ha, sendo um dentro da unidade de conservação. “Sem a presença da aeronave teria sido bem pior, devido à distância das frentes do incêndio, topografia, acesso difícil, ventos fortes e grande acúmulo de combustível, pois havia 17 anos que não ocorria incêndio naquele local”, relata Antônio Augusto Tonhão de Almeida, gerente do parque.

“A ação dos funcionários mostra mais uma vez a dedicação que têm ao parque. Não recebem salário há três meses, mas não hesitaram em combater o fogo. São verdadeiros heróis, guardiões da água e da biodiversidade que os parques guardam a trancos e barrancos”, elogia Dalce Ricas, superintendente da Amda.

Salários atrasados

Os funcionários do parque do Rio Preto e outras unidades de conservação estão com salários atrasados há três meses. Além disso, desde o final de 2015, o FGTS não é recolhido e há casos de férias vencidas há dois anos que ainda não foram pagas. A empresa responsável pela contratação dos guarda-parques é a Cristal Serviços Especializados e esta é a segunda vez que a empresa atrasa os pagamentos somente neste ano.

No começo de 2016, a Cristal ficou em débito com os funcionários por dois meses por estar com a Certidão Negativa de Débitos vencida – o documento é exigido para repasse dos recursos pelo Estado através da Semad. Agora, pela mesma razão, os salários voltaram a atrasar.

Em audiência no Ministério Público do Trabalho no dia 25 de outubro, a Semad concordou em quitar os salários em atraso utilizando os créditos retidos que seriam transferidos para a empresa. A Cristal enviou a planilha com os dados somente no dia 7 de novembro e, agora, o Estado tem cinco dias para efetuar o pagamento. A situação deve ser regularizada na próxima segunda-feira (14).