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Carrefour veta fornecedores de carne vinculados a desmatamento

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Carrefour veta fornecedores de carne vinculados a desmatamento
Crédito: Ahmad Yusni|EFE

A rede de supermercados Carrefour é a mais nova aliada na luta pelo desmatamento zero na Amazônia. A empresa anunciou que vai monitorar sua rede de fornecedores de carne a fim de bloquear a compra de fazendeiros que tenham colocado gado em área que teve a floresta destruída. A identificação ocorrerá por um sistema de monitoramento que apontará produtores que burlam normas ambientais e trabalhistas como, por exemplo, produzir em terra indígena, áreas protegidas, ou utilizar trabalho análogo ao escravo.

Com o anúncio, as três maiores redes varejistas de alimentos do Brasil – Pão de Açúcar e WallMart assumiram compromisso semelhante nos últimos meses – passam a trabalhar com políticas de não vender carne proveniente de áreas desmatadas. As iniciativas reforçam acordo firmado em 2009 entre Ministério Público Federal, produtores de gado da Amazônia e os três maiores frigoríficos do Brasil – JBS, Marfrig e Minerva – com este mesmo objetivo.

Desde 2010, segundo Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social do Carrefour, a rede tinha identificado os fornecedores de carne em todo o país e foi suspensa a compra daqueles localizados em áreas mais críticas de desmatamento. O sistema de monitoramento que não chegou a ser criado na época, está sendo implementado agora.

O monitoramento atingirá 22 fornecedores de carne da rede em todo o Brasil, dos quais seis estão em território amazônico. De acordo com Pianez, o desafio agora é ampliar o rastreamento para a etapa inicial do processo, ou seja, para as fazendas, pequenas e grandes, que criam o bezerro e o fornecem para as propriedades onde o animal é engordado. O maior obstáculo para chegar a esse objetivo é a logística, pois são várias fazendas envolvidas.

Conforme Daniel Azeredo, procurador do Ministério Público Federal do Pará e um dos principais responsáveis pela formalização do acordo com os frigoríficos, sem rastreamento junto às chamadas fazendas de cria, o problema não pode ser totalmente resolvido. “Nós só vamos ter uma pecuária livre do desmate ilegal quando conseguirmos monitorar também o comércio indireto, de fazenda para fazenda. Há algumas ferramentas que já estão sendo pensadas para permitir esse controle, como o cadastro ambiental rural. A grande questão é como fazê-lo”, comentou.

Historicamente, o desmatamento de novas áreas para criação de pasto foi e ainda é o principal fator de destruição da Amazônia. Recente estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontou que, entre 1990 a 2005, mais de 80% do desmatamento ocorrido no Brasil foi associado à conversão de terras em terrenos de pastoreio.