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Greenpeace lança campanha contra hidrelétrica São Luiz do Tapajós

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Greenpeace lança campanha contra hidrelétrica São Luiz do Tapajós
Crédito: divulgação Greenpeace

A construção de mais uma mega hidrelétrica ameaça o coração da Amazônia. A hidrelétrica de São Luiz do Tapajós poderá alagar cerca de 400 km² de floresta e provocar mais de 2.200 km² de desmatamento. Além disso, a barragem poderá impactar também o povo Munduruku, que vive no rio Tapajós há gerações. O Greenpeace lançou uma petição online contra a construção, que já conta com mais de 1 milhão de assinaturas.

Em parceria com o governo, empresas como Siemens e General Eletric podem vir a participar da construção da hidrelétrica, lucrando às custas da exploração do meio ambiente. Segundo o Greenpeace, centenas de quilômetros de florestas serão alagados embaixo de um reservatório equivalente ao tamanho da cidade de Nova Iorque. O alagamento da floresta libera enormes quantidades de carbono e metano na atmosfera, contribuindo para as mudanças climáticas. Plantas raras e animais em risco de extinção serão ameaçados, sem contar aldeias e comunidades, que seriam perdidas para sempre.

O povo Munduruku vive na região do rio Tapajós há gerações. Por isso, há mais de 30 anos eles lutam contra a construção de hidrelétricas na região. Os Munduruku exigem que o governo brasileiro reconheça oficialmente seu território e estão chamando pessoas do mundo inteiro para apoiarem essa luta.

A campanha do Greenpeace é um apelo direto à Siemens, que se envolveu nas últimas quatro grandes hidrelétricas construídas na Amazônia – Teles Pires, Jirau, Santo Antonio e Belo Monte.

“A empresa deveria aprender com seu passado de envolvimento em hidrelétricas destrutivas na Amazônia e ouvir mais de 1 milhão de pessoas que querem ver o rio Tapajós correndo livre. Em vez disso, perde a oportunidade de mostrar responsabilidade e se comprometer com as pessoas, a biodiversidade e o clima”, afirmou Jannes Stoppel, da campanha de florestas do Greenpeace.

Assine a petição e compartilhe com seus contatos!

Consequências irreversíveis

Se construída, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós terá enorme impacto social e ambiental. A unidade irá alagar grandes áreas de terras pertencentes a mais de 12 mil indígenas Munduruku e comunidades ribeirinhas que vivem na área desde o século 19. Além disso, a saúde dessas populações seria severamente impactada.

A morte em massa de peixes e problemas de saúde aparentemente ligados à contaminação da água já foram relatados em outras barragens na bacia do Tapajós, bem como na parcialmente concluída hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, a última grande construção de barragem na Amazônia.

Atualmente, o licenciamento para o projeto no Tapajós está suspenso pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Isso aconteceu depois que a Fundação Nacional do Índio (Funai) publicou relatório reconhecendo que parte da área que seria inundada pela barragem está dentro de território tradicional Munduruku, o que resultaria na remoção forçada do povo para que o projeto seja viabilizado, indo contra a Constituição brasileira.

Uma análise produzida pelo Greenpeace Brasil mostra que uma combinação de energias renováveis – solar e eólica – poderia substituir o projeto de São Luiz do Tapajós.

Com informações do Greenpeace