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Facebook é usado para comércio ilegal de animais ameaçados de extinção

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Facebook é usado para comércio ilegal de animais ameaçados de extinção
Cacatuas colocadas à venda em uma publicação no Facebook de novembro de 2014 / Crédito: Reprodução/ONG Traffic

A rede social Facebook tem sido utilizada por máfias para comercializar ilegalmente espécies ameaçadas de extinção. O alerta é da ONG de proteção aos animais Traffic, que rastreou, por cinco meses, 14 grupos do Facebook estabelecidos na Malásia que vendiam mais de 300 animais selvagens, como ursos-do-sol, gibões e o arctictis binturong, um mamífero que vive no Sudeste Asiático.

Das 80 espécies identificadas durante a compra/venda, mais da metade é formada por exemplares protegidos pelas leis malaias de conservação para a vida selvagem e cerca de 25 contam com o amparo da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES, na sigla em inglês).

Entre os animais à venda, a Traffic identificou também exemplares procedentes de países como a vizinha Indonésia e de Madagascar. Segundo as investigações, os grupos do Facebook apurados contavam com cerca de 68 mil membros ativos e um total de 106 vendedores identificados.

“O crescimento das redes sociais parece ter permitido a criação de um próspero mercado de animais selvagens como animais de estimação que não existia previamente na Malásia”, afirmou Kanitha Krishnasamy, diretora de programa no Sudeste Asiático da Traffic, em nota.

Alertado sobre a descoberta, o Facebook respondeu de maneira positiva e colabora desde então com a organização para buscar soluções práticas e prevenir as atividades ilegais.

“O Facebook não permite a venda e o comércio de animais em risco de extinção e não hesitará em eliminar qualquer conteúdo que viole nossos termos de serviço”, afirmou um porta-voz da empresa americana, segundo comunicado divulgado pela Traffic.

A ONG também reportou suas investigações às autoridades locais. “Tomamos medidas para fazer frente ao problema, incluindo a colaboração com outras agências de segurança para deter o comércio ilegal de vida selvagem no Facebook”, declarou Hasnan Yusop, diretor do grupo de Execução do Departamento de Parques Nacionais e Vida Selvagem da Península da Malásia.

Yusop ameaçou com “duras penas” os traficantes e destacou que já foram detidas 54 pessoas relacionadas a estes crimes. A Traffic recomenda uma estreita colaboração entre as agências de segurança e a companhia americana para lutar contra as máfias. Além disso, a ONG sugere investimentos em campanha para conscientizar a população e configurar fóruns regionais e mundiais dedicados a encontrar soluções perante este novo cenário.