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Minas Gerais pode ter usinas nucleares no rio São Francisco até 2030

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O rio São Francisco pode receber, até 2030, pelo menos duas usinas nucleares. Quatro serão implantadas no país no período, cada uma com 1 mil megawatts (MW). Uma equipe da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, definiu 40 regiões no Brasil capazes de receber seis usinas. Agora, uma comitiva analisa os locais mais capacitados. Entre eles, uma faixa que vai de Pirapora a São Romão, no Norte de Minas. Pernambuco, Alagoas e Sergipe também foram analisados.

Segundo Marcelo Gomes, chefe da Assessoria para Desenvolvimento de Novas Centrais Nucleares da Eletronuclear, que também é vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), a ideia é encontrar uma área com capacidade para receber até seis usinas, mesmo que elas não sejam implantadas de imediato. Ele explica que a intenção é construir as geradoras em pares. Ou seja, pelo menos duas serão implantadas em Minas, caso o estado, que está entre as áreas mais promissoras, seja o escolhido. “Começamos a construção de uma usina e um ano e meio depois iniciamos a outra”, explica. Dessa forma, é possível utilizar os mesmos equipamentos e reduzir custos.

Os locais foram avaliados de acordo com critérios técnicos adaptados dos Estados Unidos. Entre eles, análises que envolvem reservas ambientais, solo e capacidade hidrológica. Esse último requisito está entre os mais importantes. As usinas nucleares dependem fortemente de água. O líquido é utilizado no resfriamento do reator, parte em que ocorre reação de nêutrons e átomos, gerando calor extremo. O calor produz vapor, que move a turbina e aciona o gerador elétrico.

De acordo com Gomes, apesar de a vazão do São Francisco estar ameaçada, a princípio, o rio é capaz de suprir a usina. “A água resfria o reator e retorna para o rio”, explica o representante da Eletronuclear. Ele ressalta, no entanto, que estudos hidrológicos ainda serão realizados. A geologia da região e a ausência de comunidades próximas também interessou a equipe. “É importante que as usinas estejam perto de centros urbanos, mas não muito próximos. Cerca de 10 quilômetros, mais ou menos. E encontramos locais assim”, explica.

Como as usinas demoram cerca de 10 anos para serem erguidas, prazo que inclui os estudos, licenciamentos e construção, a previsão é a de que a decisão saia ainda neste ano. A expectativa, de acordo com o representante da Eletronuclear, é a de que a construção seja realizada em conjunto com o poder privado. A operação, no entanto, será conduzida pela subsidiária da Eletrobras, que possui expertise no assunto.

Futuro nas mãos dos eleitores

Os eleitores podem ganhar o direito de decidir se aceitam ou não a instalação de uma usina nuclear ou de um depósito de resíduos atômicos nos estados em que residem. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 158/2015) que trata do assunto foi apresentada em dezembro de 2015.

A questão da perda de autonomia de cada estado em decidir se deseja ou não o risco de acidentes ambientais radioativos foi unânime entre os 30 senadores que assinaram a proposta. A iniciativa dá continuidade a outros projetos que visam limitar a construção de usinas nucleares no Brasil. “Isso é a continuação de um projeto de lei que proíbe novas centrais nucleares no país por 30 anos. É uma espécie de moratória até que estejamos tranquilos e seguros em relação aos riscos das usinas, tanto o risco relacionado à parte de engenharia civil diante de tragédias, quanto o que fazer com o lixo atômico”, comenta o senador Cristóvão Buarque (PDT-DF).

A PEC está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).