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Acordo obriga BP a pagar fortuna por desastre ambiental no México

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Acordo obriga BP a pagar fortuna por desastre ambiental no México
Crédito: Divulgação - Reuters/Veja

O governo dos Estados Unidos e a empresa britânica British Petroleum (BP) chegaram a um acordo sobre a catástrofe ambiental causada pela explosão da plataforma petrolífera Deepwater Horizon em 2010, no golfo do México. O acidente que provocou o vazamento de petróleo e contaminou mais de 2 mil quilômetros de litoral rendeu uma multa de 20,8 bilhões de dólares a serem pagos pela BP. A quantia foi considerada a de maior valor pago por poluição na história do país. O acordo é uma medida para encerrar a pressão dos estados do Alabama, Louisiana, Mississipi, Texas e Flórida, afetados pelo vazamento, além das autoridades locais.

A procuradora-geral do governo americano, Loretta Lynch, comemorou o acordo e considerou “uma resposta forte e adequada” ao desastre que matou 11 pessoas e espalhou cerca de 3 milhões de barris no oceano, formando uma camada de óleo na superfície da água equivalente a 11 vezes a cidade do Rio de Janeiro, prejudicando milhares de espécies marinhas, além do turismo e da pesca local.

Lynch disse ainda que a multa foi justa e aponta que “A BP está recebendo a punição que merece, enquanto fornece uma compensação fundamental pelos danos que ela causou ao meio ambiente e à economia da região do Golfo do México”.

Além do valor do acordo, a BP terá de pagar ao governo americano, aos estados e municípios atingidos, mais US$ 8,1 bi por danos a recursos naturais e US$ 700 milhões para reverter problemas que possam aparecer e não foram descobertos no momento. A empresa ainda terá de dispor da quantia de US$ 600 milhões para reembolso dos custos com a avaliação dos prejuízos causados. O prazo para quitar a multa é de 18 anos, com exceção de US$ 5 bi relativos à Lei federal da Água Limpa, que deverá ser pago em 15. A quantia vai auxiliar em projetos de restauração ambiental e programas de desenvolvimento econômico.

Espécies prejudicadas

O acidente ambiental ocorrido em 2010 afetou tanto a vida dos humanos, como de espécies locais. Segundo o governo americano, a explosão da plataforma Deepwater Horizon causou o derramamento de mais de 800 mil litros de óleo por dia na superfície do oceano e colocou em risco quatro espécies de tartarugas marinhas, golfinhos, cachalotes, camarões e outros crustáceos. O golfo do México é um dos únicos viveiros, no mundo, do atum rabilho, que também ficou ameaçado.

Além das espécies marinhas, o pelicano marrom também foi prejudicado. A ave símbolo do estado de Louisiana tinha, na época, acabado de sair da lista de animais ameaçados de extinção. Ele se alimenta de peixes que vivem nos mares afetados pelo desastre. Ao mergulhar, o pelicano ficava com as penas cobertas de óleo, o que dificultava o controle de sua temperatura corporal, ocasionando morte por hipotermia.

O Departamento de Pesca dos Estados Unidos realizou um estudo sobre os efeitos negativos causados pelo petróleo e os produtos utilizados para limpeza do oceano. Essas substâncias causam irritações, infecções de pele e queimaduras nos animais. A ingestão pode provocar problemas gastrointestinais, danificar órgãos e levar à morte. Foram necessários 87 dias para estancar o vazamento.