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Milhares de árvores queimadas: fúnebre abertura da Semana Florestal em Minas

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Milhares de árvores queimadas: fúnebre abertura da Semana Florestal em Minas
Incêndio atinge Parque Estadual da Serra do Rola Moça em 2014 / Crédito: Amda

Press Release

Belo Horizonte, 23 de setembro de 2015 – A Semana Florestal em Minas, iniciada no dia 21 de setembro, consagrado como Dia da Árvore e chegada da primavera, não terá muito que comemorar. Várias unidades de conservação no Estado – parques estaduais da Serra do Rola Moça (Região Metropolitana de BH), Boa Esperança (Sul de Minas) e do Rio Correntes (Açucena, leste do Estado) e o Refúgio de Vida Silvestre de Pandeiros (Januária, região norte) -, foram atingidos por fortes incêndios que mataram milhares de árvores. Para elas, a primavera será inútil, pois não florescerão. E fora das unidades de conservação, o fogo continua destruindo ambientes naturais de relevância, com perdas incalculáveis para a biodiversidade e danos diretos à água.

A despeito de alguns avanços na estrutura do Estado – com a criação do Batalhão de Emergências Ambientais (Bemad), do Corpo de Bombeiros -, sua estrutura e dos municípios para prevenção e combate a incêndios continua sendo insuficiente. Situação que no caso das unidades de conservação agrava-se ainda mais pela não regularização fundiárias das mesmas.

No combate ao incêndio ocorrido no último domingo (20), que destruiu um quarto do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, ressalta-se novamente o mal estado de conservação do único caminhão auto-bomba do Bemad, equipamento fundamental por lançar água pressurizada a distâncias maiores, em lugares íngremes, onde os brigadistas não podem atuar. O caminhão está parado há vários meses por problemas mecânicos. A sede do Bemad é dentro do parque, justamente para permitir ação rápida no caso de fogo. O Corpo de Bombeiros enviou outro caminhão, que demorou cerca de três horas para chegar. E, mesmo assim, o veículo não pode continuar sendo utilizado, devido à demandas urbanas na RMBH. Sem combate, o fogo alastrou-se e ficou incontrolável.

Apesar de ofício de alerta sobre o caminhão motobomba e de outros equipamentos avariados do Bemad enviado ao secretário de Meio Ambiente e ao comando dos bombeiros há quase dois meses e de reunião recente com o comandante dos mesmos, nada foi feito. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) respondeu simplesmente que o assunto não era com ela, apesar de ser gestora do parque.

A Lei nº 6.763/75, alterada pela Lei nº 14.938/03, que criou a taxa de incêndio, destina seus recursos exclusivamente para equipar o Corpo de Bombeiros. A Amda aguarda retorno de solicitação à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) sobre o total de recursos recolhidos nos últimos quatro anos e sua aplicação. Segundo Patrícia Carvalho, assessora jurídica da entidade, a informação é importante porque no caso de desvios, o governo do Estado poderá ser acionado juridicamente para cumpri-la. “Se o governo cumprisse pelo menos as leis que destinam recursos à área ambiental, como o Fhidro – Fundo de Recuperação Proteção e Desenvolvimento de Bacias Hidrográficas, compensação ambiental prevista na Lei federal 9.985/2000, taxa de fiscalização minerária e outros, provavelmente não teríamos assistido a mais este grande desastre ambiental”, afirma Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda.

Para mais informações: (31) 3291 0661