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Mais um golfinho é encontrado morto na baía de Guanabara

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Mais um golfinho é encontrado morto na baía de Guanabara
Um dos golfinhos remanescentes salta na baía de Guanabara / Crédito: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O corpo de mais um golfinho foi encontrado na última semana na baía de Guanabara, próximo à praia da Engenhoca, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Com a morte, a população de sobreviventes passa a ser de 37 cetáceos; em 1985, eram 400. A carcaça do boto-cinza, que ainda não tinha completado um ano de vida, foi recolhida para análise pela equipe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Faculdade de Oceanografia da Uerj.

“Mais da metade dos filhotes não chega à idade adulta por uma série de motivos. Esse filhote pode ter morrido por causa de alguma doença ou da poluição”, diz o oceanógrafo José Lailson Brito, coordenador do Maqua.

O programa de monitoramento dos golfinhos bancado pela Petrobras foi encerrado no dia 2 de maio. O projeto era uma condicionante imposta à empresa que, em 2008, instalou o Terminal de Regaseificação de GNL numa área da baía frequentada pelos cetáceos num passado recente. De acordo com o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, a renovação da licença ambiental do terminal, em trâmite no Instituto Estadual do Ambiente (Inea), só sairia quando a Petrobras restabelecesse a contrapartida. Na semana passada, por meio da assessoria, a secretaria informou que “a condicionante está sendo negociada e que será ampliada”.

“É muito urgente. Estamos a quase um ano do início das Olimpíadas e até lá vamos ficar de mãos atadas vendo os botos sumindo?”, indaga José Lailson. Caso a situação não seja revertida, a estimativa é que, em 20 anos, a população de botos-cinza da Guanabara seja extinta.

Nos últimos sete anos, equipes do Maqua fizeram rondas de seis a oito vezes por mês. Desde que o programa de monitoramento chegou ao fim, as expedições foram reduzidas a duas vezes ao mês, com verba da Faperj.

Há 15 dias, a pedido de André Corrêa, o Maqua finalizou um projeto de monitoramento para os botos de todo o estado, que incluiu, além dos habitantes da Guanabara, os das baías de Sepetiba e Ilha Grande, orçado em R$ 7 milhões. A proposta foi aprovada pelo secretário, mas ainda não tem data para ser colocada em prática.

Com informações do O Globo