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Pneus velhos são transformados em combustível

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Pneus velhos são transformados em combustível
Pneus velhos podem ser transformados em combustível / Crédito: Planeta Sustentável

Transformar pneus velhos em combustível. Esse é o objetivo da pesquisa que está sendo desenvolvida por Flávio Ferreira, professor de química e doutor em tecnologias energéticas pela Universidade Federal de Pernambuco. Uma tonelada de pneus – cerca de 75 unidades – pode ser convertida em 300 litros de combustível, quantidade suficiente para rodar cerca de 3,6 mil quilômetros em um carro popular. Além de dar uma destinação adequada aos pneus, que geralmente são descartados em lixões ou rios, o projeto se diferencia por não eliminar poluentes no ambiente.

A transformação consiste em derreter os pneus num equipamento de aço inoxidável, utilizando como energia os próprios gases produzidos pela decomposição do material e sem a presença de oxigênio, para que não haja explosão, e geração de monóxido de carbono, que é poluente. O resultado é a produção de um óleo escuro, uma mistura gasosa, aço e negro fumo – resíduo em pó utilizado como pigmento de tintas e matéria-prima de teclados e painéis de carro.

O líquido recolhido é destilado e transformado em gasolina. “As características são semelhantes às do combustível que é vendido no mercado. O índice de octanagem, que indica a qualidade, chega a 79,6 kg/cm3. A do comércio é 80 kg/cm3, mas tem adição de álcool e a nossa não”, disse Ferreira.

Os gases vão para um tubo onde passam por uma espécie de “lavagem” antes de serem armazenados para venda. O negro fumo e o aço também seguem para o mercado.

Cerca de 100 pneus são retirados diariamente das ruas, rios e canais de Palmares, na região de Mata Sul, pelos catadores de recicláveis. A prefeitura estuda ceder uma área de 12 hectares para um projeto piloto da pesquisa de conversão de pneus em gasolina. A estimativa é que a implantação da indústria custe R$ 3 milhões.

Impacto ambiental

Em 2013, conforme números divulgados pela Folha de São Paulo, 68,8 milhões de pneus foram produzidos no Brasil, um aumento de 7% em relação ao ano anterior, dando ao país o título de sétimo maior produtor mundial, segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).

O maior consumo de pneus, que não tem tempo determinado para degradação, acarreta uma séria de danos ao meio ambiente. Entre eles estão aumento do volume de material destinado irregularmente, maior consumo de energia e recursos naturais, além de poluição do ar, águas superficiais e lençóis freáticos.