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Votação para nome de filhote de gorila do zoo de BH é suspensa

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Votação para nome de filhote de gorila do zoo de BH é suspensa
Imbi com seu filhote / Crédito: Beto Novaes/EM

Por enquanto, o segundo gorila nascido em cativeiro na América do Sul continuará sem nome. A ONG Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural (Insod) entrou com pedido no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para barrar a eleição por considerar que os nomes indicados, de origem africana, podem favorecer o racismo e o bullying. Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que a votação foi encerrada nesta segunda-feira (15) e o nome escolhido será mantido em sigilo até que a Procuradoria-Geral do Município apresente parecer.

Os nomes sugeridos para o filhote foram inspirados na cultura africana, para lembrar o continente de origem da espécie. As opções eram Ayo, que significa felicidade; Bakari, que quer dizer o que terá sucesso; e Jahari, cujo significado é jovem forte e poderoso. Para a Insod, a proposta pode trazer danos ao vincular o macaco à cultura negra. “O macaco é mundialmente conhecido como um símbolo de racismo. Brasileiros jogadores de futebol já sofreram racismo quando a torcida imitou os sons de um macaco ou jogou banana no campo. Isso é um ato que atinge a pessoa diretamente e fere muito um povo. É exatamente o que a Fundação Zoo-Botânica está fazendo ao dar nomes africanos aos gorilas”, comenta Samuel Ayòbámi Akínrúlí, presidente do Insod.

O Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos (CAO-DH) e a Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Belo Horizonte também expediram recomendação à Fundação Zoobotânica. No documento, pediram o imediato cancelamento da votação ou a substituição dos nomes por outros que não contenham origem africana.

Para Marcio Lacerda, prefeito de BH, a polêmica em torno do nome do filhote “é uma tempestade em copo d’água”. Ele criticou o empenho do MPMG ao tema: “é um assunto de pouca importância. Há tantos temas mais importantes na sociedade, como a pichação por exemplo, e que não tem essa devida atenção do MP. É uma polemica vazia e nós não pretendemos mudar os nomes dos gorilinhas”.