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Projeto cria APA no Rio de Janeiro para salvar boto-cinza da extinção

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Projeto cria APA no Rio de Janeiro para salvar boto-cinza da extinção
Boto-cinza é uma das dez espécies mais ameaçadas de extinção do Rio de Janeiro / Crédito: Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Para tentar barrar o processo de extinção do boto-cinza (Sotalia guianensis) na Baía de Sepetiba, no Rio de Janeiro, a prefeitura de Mangaratiba apresentou uma proposta para criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Boto Cinza. O documento será enviado à Câmara de Vereadores no próximo dia 25. A baía tem a maior concentração de boto-cinza do estado. Atualmente, restam mil animais no local; há dez anos havia o dobro.

De acordo com o projeto, a APA terá 240 quilômetros quadrados (km²) de espelho d’água (a baía tem 536 km²), em que todo o ecossistema será protegido e os pescadores artesanais continuarão a exercer suas atividades. A proposta também prevê material e pessoal para fiscalização permanente e espaços para pesquisa e defesa do ambiente marinho. Outros animais ameaçados de extinção, como peixe mero, tartaruga-verde e sardinha-verdadeira, além de espécies que sofrem com a sobrepesca, como o camarão-branco e a corvina, estarão protegidos.

“Faremos estudo técnico para delimitar as áreas (que podem receber empreendimentos), mas não tem mais espaço para empreendimentos na região porque a baía está saturada”, afirma a secretária do Meio Ambiente de Mangaratiba, Natacha Kede. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que a criação de uma APA marinha estadual, proposta em 2008, “está em fase de estudos”.

Extinção

Símbolo da bandeira do Rio de Janeiro, o boto-cinza está na lista das dez espécies mais ameaçadas do estado. Em 2012, o animal se tornou patrimônio natural da cidade, mas, segundo dados do projeto Abrace o Boto Cinza, o número de mortes vem aumentando. Entre 2010 e 2013, 180 morreram. Neste ano, apenas de janeiro a outubro, 52 animais foram abatidos.

O processo de extinção do boto-cinza tem sido acelerado pela pesca predatória, crescimento urbano e industrial desordenado e falta de fiscalização. A maioria dos animais morre presa em redes de captura de peixes. Por isso, em 1993 foi instituída a Portaria 107 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que proíbe o uso de redes de cerco em barcos do tipo traineira e o arrasto com parelha e rede de couro na baía.

Recentemente, Ibama, Inea, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Capitania dos Portos, com apoio das prefeituras de Mangaratiba e Angra dos Reis, definiram a realização de operações conjuntas para coibir a mortandade ilegal do boto-cinza na Baía de Sepetiba, com a apreensão dos instrumentos irregulares usados para a prática do crime.