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Instituto Estadual de Florestas e prefeituras da APA Sul discutem plano de incêndios para 2015

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Instituto Estadual de Florestas e prefeituras da APA Sul discutem plano de incêndios para 2015
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Reunião realizada nesta quarta-feira (29), na sede do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, reuniu órgãos públicos, ONGs e secretários de Meio Ambiente de municípios integrantes da Área de Proteção Ambiental (APA) Sul da região Metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo do encontro foi para articular medidas preventivas e de combate a incêndios para o ano de 2015. Das 13 prefeituras convidadas, apenas cinco pareceram à reunião, sendo elas Barão de Cocais, Itabirito, Belo Horizonte, Rio acima e Catas Altas.

O gestor da APA Sul, Luiz Roberto Bendia, falou sobre a importância das unidades de conservação para preservação de mananciais e da biodiversidade, e admitiu que, em alguns incêndios, o aparato do estado nem sempre é suficiente para o combate. Apenas este ano, mais de 100 mil hectares foram queimados em Minas Gerais.

Roberto Bendia propôs a realização de reuniões divididas por bacias hidrográficas, para apresentação do plano e discussão das estratégias com os municípios. O primeiro encontro acontecerá na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Santuário do Caraça, no dia 7 de novembro, para discutir as ações da bacia do Piracicaba.

O diretor de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais e Eventos Críticos (Previncêndio), Rodrigo Bueno Belo, falou sobre o papel das prefeituras no combate a incêndios e sobre a necessidade de compartilhar responsabilidades e estabelecer parcerias. Ele colocou a Previncêndio à disposição para realizar treinamento de brigadistas dos municípios e propôs medidas para melhorar a atuação das prefeituras no próximo ano.

“A primeira proposta é que as prefeituras montem brigadas municipais, mesmo que voluntárias, para auxiliar em pequenos combates e eliminar incêndios menores. Outra coisa é a união das brigadas, para que os brigadistas sejam mais ativos e tenham equipamentos necessários, a Semad pode fornecer estes equipamentos. Com pequenos investimento e organização, podemos conseguir bons resultados nesta questão”, afirma Bueno.

O diretor da Previncêndio ainda destaca a importância de trabalhar no plano de prevenção de queimadas agora, antes que inicie a seca de 2015. “A tendência é que o próximo ano não seja diferente do atual, a previsão é de mais dois anos de seca, então precisamos agir agora”, afirma.

Roberto Caldeiras, representante da Amda na reunião, lembrou que empresas de médio e pequeno porte também deveriam ter uma brigada, ou pelo menos envolver alguns de seus funcionários no processo de combate.

“Empresas pequenas e condomínios também têm vigilantes, que poderiam ser brigadistas eventuais, recebendo treinamento e equipamento necessários. Estes funcionários não ajudam em nada porque eles acham que não é função deles. Eles poderiam ajudar no monitoramento e em pequenos combates, se eles fossem instruídos para isso”, afirma Caldeiras.

O Major Anderson de Almeida, do Corpo de Bombeiros, disse que uma unidade exclusiva para o combate à incêndios florestais está sendo criada. Almeida acredita que é preciso conversar mais “sobre o meio do que sobre o final”.

“Quando falamos em combater o fogo, é porque o incêndio já está acontecendo. Mas não falamos ainda em trabalhar para que os incêndios não aconteçam. Da mesma forma que, há alguns anos, as pessoas não usavam cinto de segurança, e agora todo mundo usa porque foram feitas muitas campanhas educativas. Hoje as próprias crianças cobram isso dos adultos, porque as campanhas provocaram mudança de pensamento. Precisamos pensar no porque dos incêndios estarem acontecendo para pensar em ações de monitoramento e prevenção”, explica o Major Almeida.

O biólogo da Amda, Francisco Mourão, espera que no próximo ano o quadro de contingenciamento de recursos para as unidades de conservação não se repita, principalmente os recursos da compensação ambiental, que são exigências legais e devem ser aplicados nas UCs.

“Também esperamos que o serviço de manutenção e substituição de veículos nos parques seja mais eficiente, de forma que os gerentes não sejam colocados novamente em situações de dificuldade, não tendo condições nem de transportar os brigadistas”, afirma o biólogo.