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Botos-cor-de-rosa viram isca para pesca de piracatinga

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Botos-cor-de-rosa viram isca para pesca de piracatinga
Botos são mortos para virar isca para pesca de piracatinga / Crédito: photobucket.com

O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) está em risco. Durante o período de defeso de algumas espécies, que acontece de 15 de novembro a 15 de março, os pescadores buscam outros animais de menor valor comercial, como a piracatinga, um bagre conhecido como urubu d’água porque se alimenta de resto de animais mortos. A carne do boto tem servido de isca para essa pesca e toneladas de piracatinga são exportadas, principalmente, para a Colômbia. Assim, as populações do maior golfinho de água doce do mundo estão sendo reduzidas a uma taxa de 10% ao ano desde que o consumo colombiano de piracatinga aumentou.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) ainda não classifica o boto como ameaçado de extinção por ser uma espécie da qual se tem “dados insuficientes”, mas as autoridades brasileiras o classificam como “vulnerável”.

A bióloga Sannie Brum, pesquisadora do Instituto Piagaçu (IPI), estudou os hábitos de 35 comunidades pesqueiras no rio Purus, no Amazonas. De acordo com ela, os moradores da região matam, anualmente, até 144 botos-cor-de-rosa, número superior a qualquer limite seguro que garanta a sobrevivência da espécie. “Chegamos a esse cálculo depois que nos informaram que os pescadores extraem da região cerca de 15 toneladas de piracatinga por ano e que 90% da isca que utilizam é carne de golfinho rosado”, disse.

Brum explica que o cálculo se refere exclusivamente à parte baixa do rio Purus, que é uma área de proteção ambiental, mas há informações de que a prática se estende ao longo do rio. “Por isso o atual volume de pesca de piracatinga exigiria o sacrifício de cerca de 500 botos por ano apenas nessa região”, alerta a bióloga.

“Outros estudos nos permitem dizer que 1.600 botos são usados por ano para a pesca de piracatinga pelos pescadores de Tefé, no rio Solimões, e que o número chega a 2.500 em toda a região de Manaus. São números que assustam para uma espécie considerada vulnerável”, relata Brum.

A partir de janeiro de 2015, a pesca e comercialização da piracatinga serão proibidas por cinco anos em todo o território brasileiro. Mas a Colômbia também precisa apoiar esta causa.

A ONG Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) entregou, em agosto deste ano, uma carta à ministra colombiana de Relações Exteriores, María Ángela Holguín Cuellar, solicitando uma audiência para explicar como, indiretamente, o consumo da piracatinga na Colômbia tem dizimado os botos-cor-de-rosa.

Além do documento, a ONG lançou uma petição online solicitando apoio da população dos países latino-americanos para que a Colômbia tome uma atitude em prol do maior golfinho de água doce do mundo. A campanha já conta com mais de 97 mil adesões. A Amda apoia esta campanha! Assine você também e divulgue para seus amigos utilizando a hashtag #botonaoeisca.

Vamos salvar o boto-cor-de-rosa! Confira também os vídeos divulgados pela ONG.

Conheça o boto-cor-de-rosa.